Especial

Painel sobre jogos vai debater o mercado no Rio Info

Guilherme Xavier falará das experiências postmortem de projetos de games

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Um dos painéis mais esperados desta edição do Rio Info é o “Game Over – Experiências postmortem de projetos de Games”. Mesmo com a insuficiente maturidade do mercado nacional de games, os jogos desenvolvidos no Brasil são reconhecidos mundialmente pelo seu grande potencial criativo. Para Guilherme Xavier, game designer, professor da Puc-Rio e CEO da Donsoft Entertainment, a criatividade é uma das principais vantagens do desenvolvedor brasileiro.

E é justamente em cima de um projeto assinado por sua sua empresa, o “Capoeira Legends – Path to Freedom”, que ele vai pautar a sua palestra. “Vou mostrar um postmortem desse nosso primeiro grande projeto, que foi emblemático na época do boom dos estúdios de produção do país. Mesmo com todas as adversidades enfrentadas pelas empesas pequenas, o que inclui a competição com os jogos do mercado internacional, quero mostrar que é possível investir nessa área em território nacional”, afirma.

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Capoeira Legends – Path to Freedom

O “Capoeira Legends – Path to Freedom” teve como base explorar um tema que causasse um interesse muito grande, principalmente na Europa, e que não caísse no lugar-comum de assuntos de jogos, como guerras e alienígenas. “Fizemos uma profunda investigação em termos de história e chegamos à capoeira. Dessa forma, conseguimos um respaldo maior entre os brasileiros, apesar de o nome ter sido criticado por conter palavras americanas”, relembra Guilherme Xavier.

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O jogo teve como base explorar um tema que causasse um interesse muito grande, principalmente na Europa

O jogo, lançado em 2009, levou o Brasil a patamares nunca antes alcançados no mercado de games. “Ficamos conhecidos lá fora e, mesmo que o jogo em si não possa ser considerado um produto de extremo sucesso monetário, foi um grande sucesso de marca, o que gerou um reposicionamento da área de TI e a o entendimento de que poderíamos produzir excelentes jogos. Foi um excelente modelo”, avalia.

Muitas são as dificuldades enfrentadas para quem pretende investir na área que, muitas vezes, não conta com suporte financeiro do governo ou ajuda de investidores. “No Brasil, o jogo é tarifado com incidência de 85%, o que equivale aos jogos de azar, ao cigarro e à bebida. Ou seja, o jogo acaba sendo visto como algo menor. Não existe, ainda, uma regulação específica para o jogo eletrônico pois ele é, além de uma aplicação tecnológica, um produto da economia criativa. Portanto, acaba sendo disputado entre as esferas políticas de TI e Cultura. Fica um empurra para ninguém pagar a conta no final”, critica.

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O jogo foi lançado em 2009 e levou o Brasil a patamares nunca alcançados no mercado de games

Outra barreira enfrentada é a distribuição: o processo de competição na internet é violento e vai além da qualidade de cada jogo em si. “Para um jogo entrar no top 100, vai muito mais de quanto se investe. Por isso precisamos aumentar o número de vitrines e valorizar a produção nacional. Nada impede que um jovem desenvolvedor consiga produzir o jogo. Mas ele conseguirá ser vendido? É um meio muito concorrido e cada peça tem um tempo de vida curto, de até cinco anos”, explica.

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Cena do jogo que fez sucesso fora do país

Segundo Guilherme Xavier, a tendência gira em torno de projetos que antecipem a escapatória do jogador para outras amostras. “É justamente assim que o usuário compra por impulso. A ideia da minha empresa é não focar na mercantilização do jogo e na monetização, que buscam o entretenimento e a compra imediata. Não somos caça-níqueis. Logo, vejo uma grande corrente dos jogos casuais e, apesar de termos começado com atraso, em 2003, é melhor ser pequeno. As grandes estruturas estão ruindo. O objetivo do jogo é que ele se torne uma forma de expressão e ofereça um lado mais afetivo do que funcional. Gosto de brincar que pretendo ser o Cinema Novo desse novo ambiente”, compara.

Outro tema que será levantado é o da utilização de jogos na educação. “Nesse setor, o que deve ocorrer é um encontro entre dois mundos. O jogo deve ser interessante para o aluno e o educador, para que possam discutir e se apropriar do que é oferecido”, conclui ele, que no momento se dedica a desenvolver um projeto inhouse chamado “Dom Jorge” baseado no santo São Jorge, figura conhecida de grande parte da população brasileira.

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Guilherme Xavier vai falar sobre games no evento

Sobre Guilherme Xavier – É mestre e doutor em Design pela PUC-Rio. Guilherme foca seus estudos nos jogos eletrônicos. Sua abordagem contempla as dimensões visuais, interativas, sociais e históricas. Em sua tese de doutorado, ele discutiu a produção independente de jogos eletrônicos no Brasil. É ludólogo e consultor em estratégias de integração entre jogos e atividades educacionais, instrucionais, laborais e artísticas. Atua como professor de Projeto e de Design de Jogos no curso de graduação em Design da PUC-Rio e CEO da Donsoft Entertainment.