Entrevista

Benito Paret fala sobre renovação do evento Rio Info

Temas são variados como política de TICs, robótica, Internet das Coisas e tecnlogia na música

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À frente do Rio Info desde 2003, o coordenador do evento e presidente do TI Rio, Benito Paret, fala em entrevista à TI Maior sobre a evolução do evento, que hoje é um dos mais importantes da área de TI no país.

Para ele, renovação é a palavra-chave do encontro que, em suas doze edições, contabiliza números relevantes: 15 mil participantes, duas mil empresas e mais de R$ 200 milhões movimentados em negócios realizados no local. Para Benito Paret, o sucesso se dá pelo fato de o material oferecido ser muito amplo. “Vamos abordar muitas áreas da TI, da política até as novas tecnologias, incluindo a robótica. O cardápio oferecido é muito amplo e a expectativa é que se consolide como o principal evento no país do setor”, diz ele sobre o evento, organizado pela Assespro, TI Rio e Riosoft e que ainda conta com o apoio de importantes entidades públicas e privadas, como Governo do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, FAPERJ, Softex, Sebrae, Fenainfo e o Comitê Gestor da Internet no Brasil-cgi.br.

TI Maior – O Rio Info completa treze anos. Como avalia a evolução do evento e qual o principal mote desta edição?

Benito Paret – Como o evento já está na sua décima-terceira edição, é natural que a gente busque essa característica de se renovar constantemente, novos caminhos e mudar a sua programação sempre.

Temos cinco trilhas, que são as linhas que vamos seguir: temos as áreas de Políticas de TI, a Sociedade Digital, TI- Presente e o Futuro, Inovação e Negócios e o Profissional do Futuro.

TI Maior – Como é reunir tantos assuntos em tão pouco tempo de evento e um número cada vez maior de participantes?

Benito Paret – Parece complexo, mas não é. Todos essas áreas aparentemente são distintas, mas elas fazem parte de um conjunto. E é justamente isso que queremos, discutir o que é essa horientalização da TI.

Quando começamos, a TI era uma coisa, agora ela está em tudo quanto é lugar, seja no celular, no carro, e até na nossa geladeira muito em breve.

Por isso o foco do nosso evento é muito abrangente, do ponto de vista da TI propriamente dita, atual e futura, passando por temas que devem ser debatidos, como a Internet das Coisas, Aplicações em Nuvem e a Robótica, além de softwares para educação.

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Benito Paret, presidente do do TI Rio

TI Maior – O evento é considerado um dos principais do setor. A que se deve esse reconhecimento, na sua opinião?

Benito Paret- Justamente pela sua diversidade. Nesta edição, o evento terá 11 seminários diferentes, em 30 painéis com 140 palestrantes.

Dessa forma e com tantas pessoas importantes da nossa área, é natural que o Rio Info tenha um peso muito importante, justamente por ser um centro da discussão da TI. E eu falo isso tanto no seu aspecto ferramental, nos negócios, na política e em suas prioridades estratégicas.

TI Maior – Por falar em política na área de TI, o que exatamente o Rio Info vai abordar em relação ao tema?

Benito Paret – Vamos promover uma avaliação das políticas que foram desenvolvidas até agora. Primeiramente, queremos fazer um balanço do programa TI Maior, política que foi o primeiro conjunto de investimentos na área de TI.

Não vamos abordar os temas Terceirização e o Software Profissional, pois não necessariamente são o foco da nossa discussão.

Queremos saber se o país vai investir em TI para a educação, a segurança pública e o desenvolvimento industrial, por exemplo. Ou vai investir em comércio para TI?

Precisamos saber os reais caminhos para as políticas de fomento, onde posso citar a Finep e os órgãos estaduais. Queremos promover essa varredura e ver exatamente o papel de cada um nesse cenário.

O cardápio oferecido é muito amplo, e a expectativa é que se consolide como o principal evento do país do setor.

TI Maior – Este ano, o Rio Info vai ter palestras que abordam temas inovadores e poucos discutidos em eventos, como a tecnologia na música e as comunidades digitais. Como surgiu essa ideia, de abrir esse leque? É uma maneira de tornar o evento mais próximo dos jovens?

Benito Paret – Nunca se discutiu a música na TI, nem a tecnologia no e-commerce, nas comunidades digitais, no processo jurídico eletrônico. O Rio Info pretende abordar a TI em todos os seus aspectos, desde a política e o seu conjunto de ferramentas para que esses objetivos sejam atingidos.

Pretendemos atingir um grande número de jovens universitários e do ensino médio, pois eles podem nos ditar os caminhos do futuro.

TI Maior – Já que estamos falando de juventude, como vê a educação e a TI atualmente? Existe um lado que defende a introdução, desde cedo, da Ciência de Computação na sala de aula. Já outro diz que ela atrapalha o processo de aprendizagem, até uma certa idade. O que tem a dizer sobre esse tema?

Benito Paret – Tem um seminário específico que vai falar desse tipo de tema.

O que acontece hoje na educação é uma falta de definição de prioridades estratégicas, carentes de recursos para somar em aplicações e que seja revertido em recursos humanos. O tema educação nos preocupa, pois como temos um governo que tem o slogan “Pátria educadora” e não faz nada sobre isso?

Não acho necessário a criança ter um tablet desde cedo, mas sim ter acesso a todas as ferramentas que não tinha há alguns anos. Temos que considerar como prioritária a solução que será colocada nessa ferramenta, pois é justamente esse aplicativo que vai poder promover uma integração com as matéria dadas em sala de aula.

Espero que o governo use a TI em sua plenitude, não somente na educação, mas em prontuários médicos, matrículas, entre outros.

TI Maior – Com tantos programas sendo lançados pelo governo, o que falta para saírem do papel e se tornarem realidade?

Benito Paret – Sendo bem sincero, faltam foco, fomento, definir as prioridades e alocar recursos para apoiar projetos que se tornem realidade.

Não adianta abarcar o mundo de uma vez só, o governo precisa incentivar a buscar investimentos e fomento como estratégias. É fundamental motivar os recursos governamentais, que já são escassos, criando políticas de incentivo para que a própria sociedade faça parte desse desenvolvimento.

Não somos salvadores do mundo, mas estamos contribuindo na medida que podemos com essa disponibilidade.

TI Maior – No evento, como será, então, a discussão em torno desse problema de investimento na indústria nacional e na questão da escassez de patentes nacionais?

Benito Paret – Reforço que os principais problemas são aplicar os recursos e liberar fomentos significativos para a indústria de fabricação.

Dessa forma, não conseguimos comprometer a nossa própria indústria e tecnologia nacional de uma forma positiva. O Rio Info não tem uma proposta definida e, por isso, juntamos pessoas que têm a capacidade de pensar, promover essa reflexão e sair do evento com esse algo a mais.

A nossa ideia não é sair com a receita de bolo, mas ajudar nessa discussão, debatendo alternativas. Pode ser um bolo de laranja, de fubá, quem sabe?

TI Maior – O evento é também conhecido por promover o debate amplo com o público. Como será nesta edição?

Benito Paret – Sempre tentamos discutir com todos os participantes e levantar a questão de buscar sempre desenvolvedores. Não podemos ser meros objetos do processo.

O nosso objetivo é criar uma oportunidade de participação constante com o público e palestrantes. É esse diálogo que pretendemos alcançar neste encontro