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Dauton Janota


Em 1993, uma renomada banda brasileira vendeu cerca de 6 milhões de cópias de LP’s. Nesta época, tratava-se de uma venda casada, ou seja, se você gostasse de duas músicas, obrigatoriamente comprava outras 14-15 músicas que estavam contidas no LP.

Como usuário final, você acabava por se acostumar com as outras músicas e, consequentemente, quando ia ao show desta banda, saberia cantar e participar com o artista na grande maioria das canções executadas.

Neste momento, grandes gravadoras faturavam bilhões e seus artistas eram bem remunerados diante de contratos que os mesmos artistas mal entendiam, mas seu ganho como profissional da música era o suficiente para, inclusive, provar seu status social como artista.

Em 1999, depois da digitalização da música, o Napster foi lançado e a pirataria/contrafação derrubou substancialmente as vendas de físicos na indústria da música. Neste período, a indústria entrou em colapso para as gravadoras, porém, demorou algum tempo para que esta situação atingisse diretamente o artista.

Logo após, com o lançamento do iTunes, aqueles que não aderiram à contrafação passaram a consumir música sem ter a obrigação da compra casada, o que significa que você compra/comprava aquela determinada música individualmente. Neste momento, a indústria sofria mais um grande impacto pois, apesar de aparecer uma solução contra a pirataria, já não se vendia 17 músicas empacotadas, mas apenas uma.

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Napster

Os artistas começaram a sentir a queda de rentabilidade. Hoje e de agora em diante, pensando que não há o porquê de comprar uma música, uma vez que você não precisa ter a música em seu HD e sim ter acesso a ela via internet, tornou-se um bem de consumo de aluguel – você paga uma mensalidade e tem acesso a um vasto catálogo de músicas. A indústria comandada por cabeças de prata, como os senhorios do café, não acompanharam a evolução e tampouco esperavam chegar neste patamar.

O mesmo artista que mencionei no início desta explicação lançou um disco há 6 meses e 50 mil cópias não foram vendidas. Estas 50 mil cópias refletem a nostalgia de alguns poucos usuários: aqueles que acompanham o artista desde seu início e gostam de comprar produtos, sejam quais forem (merchandising, por exemplo), representam 0,002% do mercado.

Há, então, uma explicação plausível para a produção de vinil? Se observar, um vinil pode custar R$180 no Brasil, quando seu preço equivalente para a época onde todos consumiam vinis era o de R$27.

Com o streaming, as gravadoras têm um modelo de advance para liberar seus catálogos para aluguel, ou seja, uma companhia de streaming deve pagar fortuna à frente para poder alugar para os usuários. Desta maneira, não só as majors, mas principalmente os artistas, deixam de faturar quantias enormes de dinheiro e buscam soluções às vezes absurdas, como foi o caso do U2 ao “doar” 500 milhões de cópias nos iPhones alheios.

Particularmente, eu nunca havia conhecido algum hater desta banda, quando me deparei com inúmeras mensagens dizendo: “Quem é o U2?” “Quem deu permissão para que essas músicas odiáveis invadissem meu gadget?” E coisas assim…

O grande e importante, eu diria o mais importante fator é que, de acordo com o IFPI, todos as grandes empresas de streaming que possuem conteúdos das majors representam apenas 5% de toda música no planeta.

Veja, estamos falando de aproximadamente 34 milhões de músicas. E, se elas representam 5%, temos 646 milhões de outras músicas que não foram descobertas e não têm oportunidades de monetização. Fato é que, na Índia, só se ouve música indiana…

Lembrando que a Índia possui 1,3 bilhões de habitantes, onde 34% deles possuem smartphones…

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Com o streaming, as gravadoras têm um modelo de advance para liberar seus catálogos para aluguel

As empresas de streaming conhecidas mundialmente são empresas de tecnologia que focam somente no consumidor final tornando seu modelo de negócios pênsil, desequilibrado e pouco sustentável. Fato é que a maior delas, em report, teve um crescimento de 16% nos prejuízos.

Tendo os artistas como seu maior inimigo, tento entender qual modelo seria sustentável quando se extrai a fonte valiosa das entranhas da metafórica galinha dos ovos de ouro.

Basta fazer uma simples pesquisa em buscadores para obter a resposta com os termos: “I love Spotify” – milhares de ocorrências mencionando o quanto o usuário final aderiu ao serviço de aluguel de catálogos e, “I hate Spotify” – outras milhares de ocorrências mas, desta vez, daqueles que são os maiores prejudicados: os artistas.

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Spotify

Diante destes fatores, a Pleimo surgiu como um novo meio/conceito de remuneração para os artistas, atuando no nicho dos 5% (mainstream) e 95% (independentes) e pensando num modelo de negócios onde todos ganham.

Formado por estudiosos da indústria, investimos capital e anos de pesquisas sobre o mercado e suas dificuldades/oportunidades. Chegamos a um modelo que se diferencia pelos seguintes fatores:

a. Os artistas detêm 100% dos direitos arrecadados sobre as execuções.

b. O artista é estimulado ao empreendedorismo: ferramentas de criação de merchandising sob demanda fazem com que os fãs possam comprar mais de 300 produtos sem que o artista tenha qualquer comprometimento na produção e logística de entrega, ficando a ele somente o bônus da venda de sua “marca”.

c. A geolocalização mostra as casas de shows onde determinados estão sendo escutados, gerando um aumento na probabilidade de sua contratação – quando se pensa em artistas da cauda longa. (Apenas 5% de toda música no mundo é mainstream e contabilizada em aproximadamente 33 milhões de faixas, os outros 95% – estima-se 560 milhões de faixas – estão à deriva e pertencentes à cauda longa).

d. O fã remunera o artista com parte do valor de sua assinatura, todo mês: na era das redes sociais, onde o artista e fã se comunicam como nunca antes, a problemática se deve ao fator de que esta comunicação não remunera o artista, vide a fanpage de artistas conhecidos e suas atividades dentro das redes sociais.

Quando um usuário/fã se inscreve no Pleimo, ele direciona 20% do valor da subscrição para um artista, tornando-se um “parceiro”. O artista tem conhecimento deste “patrocínio” e, desta forma, é estimulado a fazer algo em troca para o parceiro ou grupo de parceiros.

Temos artistas de cauda longa que obtém ganhos acima dos R$5 mil mensais por conta destes patrocínios. Fora constatado que este mesmo artista necessitava de um outro emprego para se manter financeiramente, o que já não é mais o seu caso.

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Pleimo

Quando se tem um modelo de negócios onde todos ganham, é fácil entender que não haverá ódio – nestas circunstâncias – à nossa empresa. Bandas já colocam em seus videoclipes a logomarca Pleimo como se representassem parte de uma filosofia que veio para ficar.

A Pleimo está presente em 135 países. Em pleno crescimento e totalmente orgânico, uma vez que nunca fizemos alguma rodada de investimento. Procuramos a estratégia do oceano azul.

Não há por que brigar por mercados tão concorridos se não temos tanto dinheiro e, mais importante, se existe o restante do mundo à disposição. Estamos começando nossas operações no Brasil e esperamos ter o sucesso que estamos tendo em outros países