Edição mensal

Rio Info traz novidades em todos os setores da TI

Palestrantes das mais diversas áreas dão entrevista para a TI Maior

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Em sua décima terceira edição consecutiva desde 2003, o Rio Info é o principal evento dedicado à Tecnologia da Informação do país.

Realizado anualmente no Rio de Janeiro, reúne empresários, acadêmicos e profissionais em busca de novas oportunidades de mercado, que também aproveitam para trocar experiências e fazer negócios.

O principal atrativo é, sem dúvida, a qualidade da programação e dos participantes. “O evento se tornou referência no contexto da Tecnologia da Informação no Brasil, onde especialistas e empresários, nacionais e internacionais, apresentam em seminários e workshops o estado da arte da TI, considerando a sua evolução, perspectivas e demandas específicas”, comemora Benito Paret, coordenador do evento.

Em razão de seu sucesso, o Rio Info tornou-se uma excelente vitrine para a exposição e o reconhecimento institucional e comercial das empresas de TI, com foco na apresentação das inovações tecnológicas e no debate sobre o futuro do setor.

No campo dos negócios, é um espaço privilegiado para a troca de experiências e informações. “Por meio da rodada de negócios, favorece o estabelecimento de parcreiros entre empresas nacionais e estrangeiras, abrindo novas oportunidades de mercado”, observa Benito Paret.

O Rio Info, organizado pela Assespro, TI Rio e Riosoft, e ainda conta com o apoio de importantes entidades públicas e privadas como: Governo do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, FAPERJ, Softex,Sebrae, Fenainfo e o Comitê Gestor da Internet no Brasil-cgi.br.

Confira abaixo:

Integração Música – TI: O panorama global

Marcos Chomen foi executivo da IBM e hoje é Business Development da America Latina da CD Baby, optando por seguir o caminho da tecnologia na música.

O palestrante é um dos convidados do Integração Música – TI. “Eu venho da época em que o Big Data e o Analytcs, por exemplo, eram apenas assuntos da área de TI. Hoje, isso tudo está disponível e a tecnologia mudou o mundo da música. Quero promover um debate para falar justamente sobre essa transformação e como a empresa onde trabalho divulga os artistas mundialmente”, diz.

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Marcos Chomen vai falar sobre a integração da música com a tecnologia

Para falar sobre o tema, Marcos Chomen vai ao início dos anos 2000, quando em 1999 surgiu o Napster, criado por Shawn Fanning e seu co-fundador, Sean Parker.

O Napster foi um programa de compartilhamento de arquivos em rede P2P que protagonizou o primeiro grande episódio na luta jurídica entre a indústria fonográfica e as redes de compartilhamento de música na internet.

Compartilhando, principalmente, arquivos de música no formato MP3, o Napster permitia que os usuários fizessem o download de um determinado arquivo diretamente do computador de um ou mais usuários de maneira descentralizada, uma vez que cada computador conectado à sua rede desempenhava tanto as funções de servidor quanto as de cliente. “Foi aí justamente que houve essa quebra de modelo do mercado e as gravadoras se reuniram contra a pirataria. O Napster deu o pontapé inicial para o surgimento das mídias sociais, que depois veio com o surgimento da Web 2.0”, relembra o executivo.

Segundo Marcos Chomen, foi assim que a tecnologia e o compartilhamento trouxeram um outro olhar para o artista, que enxergou que podia dividir sua obra e gerar receita sem ter um atravessador. “No caso, estou falando de ter uma gravadora como intermediadora. Se antes ela investia no artista e gerenciava a sua carreira, hoje o artista consegue fazer tudo sozinho, além de ver como está a própria visibilidade nas redes sociais. Saber usar as mídias sociais é, sem dúvida, o segredo do negócio atual. A tecnologia criou nichos e o artista consegue fazer isso. Mas não estou tirando o poder da gravadora, que ainda oferece todo o suporte da mídia por trás”, afirma.

Em sua participação no Rio Info, o executivo pretende abordar como a tecnologia mudou o mercado da indústria fonográfica. “Tudo que envolve o universo digital, como a geração de conteúdo e o videograma, por exemplo, afetam diretamente esse negócio. Antes, a gravadora podia oferecer um leque maior de artistas. Hoje precisa massificar cada vez mais, não tem como lançar um artista de um nicho mais específico como o instrumental, por exemplo”.

Marcos Choen diz ainda que as novas tecnologias, como o streaming – fluxo de mídia que gera uma forma de distribuição de dados, geralmente de multimídia em uma rede através de pacotes – têm espaço de sobra para crescer. “No último relatório de utilização desse tipo de serviço, o Streaming possui 26 milhões de usuários, sendo que o Netflix tem 35 milhões. Então, estamos falando de um número ainda baixo. Essa receita vai aumentar e a gravadora ganhará mais poder de barganha. O artista atual está no mesmo lugar do de nomes como U2 e Beyoncé”, opina ele, citando, na cadeia de distribuição, tecnologias fundamentais como o streaming, a sincronização e a perfomance em redes sociais.

Para explicar a tendência, ele completa: “temos disponíveis vários serviços como a rádio Pandora, o Youtube e esse movimento recente do crowndfunding. O que funciona é usar a tecnologia para atingir as pessoas certas”.

Brasil ainda está atrasado no setor de tecnologia na música e precisa mudar

Para Marcos Chomen, a questão é mudar o atraso do país em relação ao uso das tecnologia em geral. “Em nosso cotidiano, existem pessoas que ainda temem comprar pela internet. Estamos muito atrasados em variados pontos. O governo precisa desenvolver soluções para o Brasil nessa área, internamente, principalmente para a banda larga. E a educação musical nas escolas deveria ser obrigatória, bem como a Ciência da Computação. É sobre essa mudança cultural que falo, nada é grátis”, conclui.

Sobre Marcos Chomen – É Business Development Latin America da CDBaby – Distribuidora Digital líder mundial de música independente com mais de 350.000 artistas e do BookBaby – Distribuidora Digital de Livros Independentes e do IllustratedSound – Youtube MCN.

Educação Digital
Aprendizagem adaptativa

Paulo Barreira Milet é um operário da educação digital. O diretor da Eschola.com, plataforma online que oferece os mais diversos cursos, é um dos participantes do tema Aprendizagem Adaptativa, dentro do painel de Educação Digital, no Rio Info 2015.

“Normalmente, quando se fala ou pensa em educação, algumas palavras vem à mente: escola, sala de aula, professores, crianças e jovens. Com a chegada e penetração das tecnologias de informação e comunicação (TICs) na educação em geral e a distância (EAD), em particular, essas palavras mudam bastante: escolas e salas de aula passam a ter o significado de ambientes de aprendizagem a qualquer hora e lugar; professores passam a ser orientadores, provocadores e pesquisadores; e o foco deixa de ser apenas crianças e jovens e passa a ser pessoas, de qualquer idade, em um conceito de aprendizagem ao longo da vida inteira (lifelong learning)”, explica.

E é nesse contexto que se enquadra a aprendizagem adaptativa (adaptive learning) que, após muitos anos de promessas na EAD, enfim se torna realidade e viabiliza o ensino praticamente indivualizado e customizado, permitindo que os alunos sigam no seu próprio ritmo e de acordo com o seu perfil.

Para explicar, Paulo Milet usa um exemplo: “imagine um aluno chegando à sua escola e, no primeiro dia de aula (ou antes disso) faz um teste (ou vários). Como resposta, os professores ficam sabendo exatamente o que ele sabe, quais as suas deficiências e como aprende melhor. A partir daí, é preparado um plano de estudos exclusivo para esse aluno, com acompanhamento e reforço diário”, narra.

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Paulo Milet fará uma palestra com foco no cenário atual da educação digital no Brasil

Segundo o diretor do Eschola.com, tal exemplo seria espetacular no ensino regular, mas é inviável e caro no sistema atual. “Porém, isso é exatamente o que caracteriza a Aprendizagem Adaptativa, viabilizada por tecnologia. O aluno faz testes regulares e obtém feedbacks imediatos dizendo onde ele precisa melhorar e oferecendo exatamente o conteúdo que ele precisa e, num futuro próximo, no formato mais adequado para o seu aprendizado”, completa.

Sobre a polêmica do uso da tecnologia na sala de aula, Paulo Milet é um defensor. “Na realidade, a tecnologia é fundamental e, como eu disse antes, não necessariamente apenas na sala de aula. Então a resposta é: ajuda e muito! O desafio principal é com os professores, que deverão se especializar no preparo do material, apresentação e no apoio ao aluno, não necessariamente com essas três atividades sendo feitas pela mesma pessoa. Mas essa mesma tecnologia também vai ajudar professores, oferecendo informações sobre os alunos e o aprendizado tratadas em quantidade e qualidade nunca antes imaginada (Big Data)”, analisa.

Segundo Paulo Millet, o governo pode ajudar definindo orientações e incentivos para uma adoção em massa. “Nesse caso, deve evitar ao máximo imbuir-se de um papel de proibições. Até porque provavelmente será atropelado pela realidade”, observa ele, acrescentando que existe um esforço mundial liderado pela UNESCO, através do seu Instituto para o “Lifelong Learning”, que tenta alavancar a educação continuada de adultos.

“Isso não significa apenas programas para analfabetos, mas também e principalmente, programas de RVA (Reconhecimento, Validação e Acreditação), onde o conhecimento adquirido pelas pessoas, seja onde for, possa ser comprovado e reconhecido por entidades habilitadas para isso. De acordo com essas entidades, o governo tem um papel fundamental. Como você pode ver, nesse contexto, o que acontece “dentro de salas de aula” perde muito de sua importância”.

Educação a distância sai na frente e é uma realidade no Brasil

Enquanto muitos países saem na frente em relação ao tema, no Brasil Paulo Milet destaca a educação a distância no Ensino Regular, principalmente no nível superior e pós-graduação, que tem tido um crescimento excepcional.

“Em menos de cinco anos, teremos mais alunos estudando nesses níveis do que presencialmente. Logo, as tendências para o futuro são no sentido do “blended learning”, onde se misturam o ensino presencial e o a distância. A Flipped Classroom (sala de aula invertida) já é uma realidade, onde a matéria não é mais dada em sala de aula, mas fica disponível previamente na internet para os alunos, que usam a sala de aula para debates entre si e mediação com os professores”.

Outra tendência apontada pelo especialista é a Gamificação (gamefication), que significa quando os conceitos de jogos, disputas, pontuação, desafios, premiação, são inseridos nos conteúdos de forma a aumentar a motivação e a eficácia do aprendizado.

Já os MOOCs – Massive Open Online Courses (Cursos Online, Abertos e em Massa) são uma realidade no mundo, com milhões de alunos fazendo cursos gratuitos oferecidos pelas melhores universidades do planeta.

Os dois grupos mais conhecidos são o Coursera (liderado por Stanford) – e já com alguns cursos em português em parceria com a Fundação Lemann e USP e o EDX (com cursos de Harvard, MIT, Berkeley e Texas). “Acredito que o modelo MOOCs vai permtir que as pessoas façam cursos de seu interesse, criando suas trilhas de aprendizagem e, em algum momento próximo no futuro, busquem sua certificação em uma entidade credenciada, comprovando seus conhecimentos”, opina Paulo Milet.

Dessa maneira, o especialista pretende, em sua palestra no Rio Info, deixar uma mensagem para os leitores da TI Maior e os atuantes dos setores de educação: “Nossas autoridades e especialistas em educação estão preocupados com os 50 milhões de brasileiros que estão em sala de aula. Talvez, também estejam com os 15 milhões de analfabetos e as crianças que ainda não chegaram ao Fundamental. Esse total bate em torno de 80 milhões de pessoas sob os holofotes das autoridades e especialistas”, analisa.

Paulo Milet diz que gostaria que “os outros 120 milhões de brasileiros também fossem objeto de preocupação. Nada impede que alguém que parou de estudar no Ensino Médio ou Fundamental retome sua formação regular ou profissional com mecanismos de EAD (qualquer hora, qualquer local e ritmo próprio) e ajude a aumentar nossos níveis de escolaridade e nossa capacitação para o que a nação precisa, mesmo que tenha 30, 40, 50 ou 60 anos de idade”.

Ainda assim, Paulo Millet afirma que sente um certo “conformismo demográfico”. “É como se tivéssemos perdido o bonde e só pudéssemos recuperar isso em 30 anos. Não é verdade! Com essas tecnologias e incentivos adequados, podemos dar saltos nos próximos 10 anos, incorporando muito mais produtividade, qualidade e quantidade no nosso mercado de trabalho”, conclui.

Sobre Paulo Milet – Formado em matemática pela UnB, Pós em Administração Pública FGV-RJ, Consultor em TI, Gestão e Universidades Corporativas. Sócio-Fundador da Eschola.com.

Educação digital
Experiências e oportunidades

Num cenário de crise econômica e política, Sylvia Meireles vai fazer uma palestra justamente sobre o atual momento que o Brasil passa no setor da educação. A fundadora da Fábrica de Cursos vai falar sobre as adversidades que trazem grandes oportunidades. “Apesar da crise e da promessa de investimentos em educação feita pelo Governo, ainda sem grandes resultados, a educação digital vem crescendo no Brasil e no mundo. A democratização do acesso à internet, a grande oferta de celulares e dispositivos mobile propiciam a oferta em larga escala de conteúdo educacional. O setor está aquecido e os grandes players do mercado comemorando”, revela a empresária.

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Sylvia Meireles e o cenário da educação digital

De acordo com a tendência observada através da pesquisa Ambient Insight, houve um aumento de crescimento de 15% ao ano na América Latina – investimentos esperados até 2016 de 2,29 bilhões de dólares.

Portanto, Sylvia Meireles alerta: “É claro que há muito que se fazer. O Brasil e sua grandiosidade demográfica deixam desatendidas áreas importantes e mais distantes dos grandes centros. Isso preocupa, pois vemos pouca movimentação no sentido de reduzir a diferença de oferta de tecnologia entre grandes centros e áreas rurais, por exemplo”.

Sylvia Meireles também vai abordar o setor mobile que, na sua opinião, já deixou de ser tendência. “O mobile é a nossa realidade. Somos mobile. Dados na UNESCO indicam que a Terra tem 7 bilhões de pessoas, 4,5 bilhões tem banheiros, 6 bilhões têm acesso a mobile. Atualmente, o acesso à internet usando celular atinge 95% da população mundial. Tudo é para ontem. Não temos mais tempo. Queremos a informação quando precisamos dela”, diz.

A especialista revela que o mundo se tornou multiplataforma. “Fazemos várias coisas ao mesmo tempo. O modelo que dá certo é o formato que atende as expectativas e necessidades do público. Ou seja, precisamos oferecer conteúdos pequenos (em curto tempo) e diretos, em vários formatos, para atender a todos – o design responsivo e alta tecnologia são a fórmula de sucesso”, aposta.

Já sobre a questão da educação digital e da tradicional, Sylvia Meireles cita um dos projetos da Fábrica de Cursos, desenvolvido para a maior instituição filantrópica do Brasil e que está entre as cinco maiores da América Latina, atende mais de 500 mil alunos e tem como principal objetivo ensinar os alunos de escolas tradicionais a utilizar a educação digital a seu favor. “Mostramos recursos e regras de forma lúdica e muito interativa. Na mesma linha, ensinamos os professores as melhores práticas na utilização de TICs (tecnologias de informação e comunicação) para que sejam levadas para dentro das salas de aula e possam ampliar os horizontes e possibilidades de todos os envolvidos no processo educacional”, explica.

Sylvia Meireles também vai falar, em sua palestra, sobre como a educação deve se reinventar principalmente por causa da geração Y, conhecida por Millennials, aqueles que cresceram na era tecnológica e hoje são a força de trabalho. “As fotos dessas crianças foram publicadas nos berçários de todo o país e chegaram em tempo real para parentes e amigos espalhados pelo mundo. É fundamental que a forma de comunicação, totalmente comum a eles, faça parte do processo educacional. Ainda há muito que investir em tecnologia e sempre haverá, isso considerando que os avanços são uma constante. Há também uma seleção natural entre soluções que durarão pouco. Os educadores precisam estar atentos e sempre receptivos às mudanças”, avalia.

E, como ainda existe uma dificuldade dos professores de escolas tradicionais em lidar com esse novo modelo de ensino, Sylvia Meirelles afirma que a informação precisa ser mais disseminada. “Ainda existe educador que considera a educação digital um concorrente. O educador pode beneficiar um número muito maior de alunos com o seu conhecimento, quando baseado em TICs. Capacitá-los, como fazemos, é uma das formas”, avalia a empresária.

Segundo Sylvia Meirelles, o modelo tem conquistado bons resultados e diversas pesquisas indicam que um dos grandes benefícios do uso das TICs é a economia de recursos. “Você consegue trabalhar em escala. Desta forma, terá um ROI mais eficiente. A produção de um conteúdo personalizado, por exemplo, será reaproveitada por muitos e por mais tempo. A sua atualização é muito mais simples e, consequentemente, menos onerosa. Além do investimento ser reduzido, há um aumento de engajamento dos participantes (alunos e professores), possibilidade de capilaridade e formas mais interessantes e inovadoras para oferta de informação”, explica.

O futuro da educação no Brasil, para Sylvia Meireles, vai ser digital. “Não existe outra opção. Mesmo os mais puristas, que ainda insistem que a educação tradicional nunca será substituída com a mesma qualidade, têm olhado diferente para as muitas alternativas. Precisamos não apenas reter, mas encantar os alunos. Existe muita concorrência desleal, se comparado aos métodos tradicionais. As novas gerações, que ainda estão por vir, terão expectativas ainda maiores. Há bem pouco tempo ouvimos ‘Ah, mas o seu cursinho é online?’, com tom pejorativo. Atualmente ouvimos ‘ah, mas o curso online eu não dou conta, é muito puxado’”, antecipa.

Sylvia Meireles garante, ainda, que a educação digital traz para a responsabilidade individual o desempenho de cada. “Não é apenas mais barato, é mais eficiente. O modelo do futuro será o semipresencial, quando há real necessidade do momento vivencial, em alguns casos. Seja para operar uma máquina e poder sentir o peso da ferramenta, como o de um bisturi, apenas”, finaliza.

Sobre Sylvia Meireles – É CEO e fundadora da Fábrica de Cursos. Possui formação nas áreas de TI e Administração e especializações em Designer Instrucional, Mídias Interativas, Webmarketing, RH e Design em Harvard e Boston University. Participa de bancas de avaliação de instituições que fomentam o empreendedorismo, como Shell Iniciativa Jovem e Junior Achievement.

Internet das coisas e a rede

A Internet das Coisas, junto com as outras tecnologias como Big Data, Analytics, Crow-sourcing, Cloud Computing possibilitam criar novos modelos de negócios e gestão.

E é com base neste universo que a executiva Marcia Matsubayashi, Anlytics Leades da Deloitte, vai fazer sua palestra no painel Internet das Coisas e a Rede. “Pretendo abordar a IoT de maneira prática e seu impacto nos negócios, quais barreiras e requerimentos para deslanchar no Brasil. As questões de mobilização da cadeia, interoperabilidade e segurança de informações são questões-chave”, cita.

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Marcia abordará a Internet das Coisas

Segundo a especialista, novas empresas digitais estão surgindo e provocando ruptura nos modelos de negócios tradicionais. “As companhias tradicionais por sua vez, poderão alavancar estas novas tecnologias para aprimorar seus modelos de operação e gestão, promovendo eficiências significativas”, explica ela, acrescentando que a IoT irá revolucionar o mundo de negócios, tal como a internet foi no passado. “Em outras palavras, estamos entrando numa nova economia, chamada de information-driven economy”.

E são muitos os setores que serão beneficiados pela IoT. O setor público, que envolve cidades, segurança, energia, educação e transportes sai na frente. “Ou seja, todos aqueles setores em que os “devices/sensores” distribuídos geograficamente vão estar conectados e interconectados. A ruptura do modelo se faz quando diversos ecossistemas poderão ser interconectados numa malha aberta”, explica Marcia Matsubayashi.

A executiva também pretende destacar o que realmente pode ser adotado pela população em geral e o que é apenas um factóide da mídia. “O case prático é o Waze, pois é conhecido por todos. Imagine que cada celular do usuário é um sensor, gerando a informação de localização de um veículo. O Waze coleta estas informações e dinamicamente interage com o usuário, provendo ‘insights de rotas’. Já os casos factóides ainda são o da ‘geladeira conversando com o iogurte’, a ‘xícara falando com o pires’. Estes são exemplos que não geram impactos significativos nos clientes, por não gerarem benefícios claros. Ou seja, a adoção rápida se dá quando existem benefícios claros para o usuário”, explica.

Dessa forma, as empresas devem usar a IoT a seu favor com dois propósitos: para fora (os seus clientes – “client-driven”) e para dentro (como ferramenta interna de eficiência – “efficiency driven”).

“Basicamente, isso quer dizer: Client-driven: como consigo utilizar a IoT para criar um novo negócio/um novo produto/uma nova maneira de servir ao cliente, adjacente ao meu? E Efficiency driven: como consigo utilizar o IoT para gerar eficiências internas na minha operação?”, explica.

Outro ponto que será levantado na palestra do Rio Info e abordado pela executiva é a necessidade de o Brasil ter uma entidade governamental que lidere o movimento, o que requer mobilização de diversos ecossistemas. “Tenho acompanhado de perto os movimentos da ABDI, do Ministério das Telecomunicações, universidades e outras entidades que estão sensibilizadas para esta nova revolução. O Brasil não poderá ficar para trás”, opina.

E, o fato de em outros países a IoT ser uma realidade e no Brasil ainda estar engatinhando, não deve ser motivo para desânimo. “Tenho explicado em minhas palestras que não podemos reinventar a roda, como tentamos fazer na época da reserva de informática. Hoje, a velocidade da renovação tecnológica é muito maior que há 25/30 anos. Precisamos aprender com os outros, entender o que deu certo e errado nos outros países. Ter humildade para assimilar as tecnologias existentes e inteligência para aplicar e adotar estas tecnologias para o benefício de nossa sociedade”, diz a especialista.

Sobre Marcia Matsubayashi – Líder nacional da indústria de Telecomunicações e Líder de Analytics da Deloitte Brasil, com mais de 30 anos de experiência em Estratégia e Tecnologia. Responsável pelo grupo de “data scientists”, cuja missão é auxiliar os clientes estratégicos da Deloitte em criar diferenciais competitivos e promover transformações através de Analytics e Big Data. Membro do comitê global da Deloitte Analytics. Professora convidada do curso de Pós-graduação em IoT da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Regulamentação do Marco Civil

A Lei do Marco Civil, aprovada em abril de 2014, gera polêmica em vários setores. Para falar sobre o tema no Rio Info, Henrique Faulhaber, pretende discorrer sobre o que, na sua opinião, é um avanço na questão de criar uma base legal para que o Judiciário decida sobre as questões relacionadas ao uso da internet, direitos e deveres dos internautas. “O Marco Civil foi um passo importante porque, muitas das novidades surgidas relacionadas à internet não estão naturalmente simplificadas na lei comum. Então, com isso, criou-se uma base legal para que houvesse o entendimento apropriado do juiz em relação a essa questão”, analisa.

Na prática, Henrique Faulhaber destaca tópicos importantes que mudam o comportamento do usuário. “O mais debatido deles é o relacionado à neutralidade da rede, que está garantida em lei. Isso significa que um internauta ou uma empresa, ao acessar um serviço de internet, não pode ter o seu trânsito priorizado. Ou seja, alguma aplicação em detrimento de outras não é permitida agora por lei. Por exemplo, se uma operadora de telecomunicações quiser prejudicar o serviço de telefonia de alguma concorrente, isso não poderá ocorrer. O mesmo vale para um serviço de streaming de vídeo. Então, vai ser assim: na internet você contrata diferentes velocidades de acesso e decide para onde vai navegar. E é justamente essa navegação que não vai ser obstruída”, destaca ele.

Para o especialista, os chamados casos de exceção da neutralidade da rede vão ser objetos de regulamentação. “Na minha palestra, quero destacar esse aspecto, pois é bastante discutido e importante. Nesse ponto, precisamos falar sobre o fato de deixar bem definido quais são os direitos à liberdade de expressão, privacidade dos dados e os impedimentos que são feitos ao uso dos dados pessoais dos usuários por conta dos intermediários. Isso tudo trouxe um grau extra de proteção ao usuário de internet no Brasil”, analisa.

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Henrique Faulhaber

E, como a neutralidade da rede ainda não é adotada no Brasil como parte do texto principal, esse novo cenário será discutido. “A neutralidade da rede é um tema relativamente novo, o Brasil não foi o primeiro país a legislar sobre isso. Temos outros países focados no assunto como a Holanda, os Estados Unidos e, na América do Sul, o Chile. Essa é uma discussão relativamente nova, e por isso é um problema novo colocado pelas tecnologias e a comunidade europeia. Enfim, os países em geral, estão se debruçando sobre esse assunto ainda. É uma questão de tempo para que ela seja debatida em um número maior de países”, explica Henrique Faulhaber.

Já sobre o o fato de o Brasil ainda ter dificuldades de acesso à internet, Henrique Faulhaber acredita que isso não atrapalhe o desenrolar do Marco Civil. “Há muito campo para aumentar a universalização do acesso à internet no Brasil. Cerca de 80 milhões de brasileiros possuem acesso à internet, uma base regular, mas ainda existe uma quantidade de excluídos grandes, um pouco mais de 50%. Isso está avançando, né? Basicamente, pela telefonia celular, cada vez mais brasileiros vão acessar serviços de internet. Nossa base é grande. Sendo assim, o fato de a nossa internet não ser universal não prejudica. O que é preciso é que haja um regramento jurídico para esses relacionamentos”, avalia.

Henrique Faulhaber também pretende abordar a questão da retirada de conteúdo, apontada pelo Marco Civil em casos de cenas de nudez ou que ofendam a intimidade. “Neste caso, existe essa possibilidade, mas o Marco Civil dificulta bastante a retirada de conteúdo, pois só podem ser retirados com ordem judicial. Algumas correntes defendiam que bastaria uma notificação ao provedor ou prestador de serviços para que retirassem aquele conteúdo que eventualmente estivesse infringindo algo no ar. No passado, a retirada de desvios judicial já era praticada. O que mudou nesse campo é que uma simples notificação não obriga ninguém a retirar o conteúdo da internet, salvo um paragráfo que foi colocado de última hora relacionado à nudez e intimidade. Esse é o único caso que o provedor, uma vez acionado, deve retirar o conteúdo do ar”, revela.

Para o futuro, o matemático diz que o internauta não irá perder a sua liberdade, como vem sido divulgado. “Muitos fizeram essa interpretação, mas é equivocada. Não há nada no Marco Civil que diminua a liberdade do internauta. Pelo contrário: você tem direitos importantes garantidos de liberdade de expressão, privacidade, direito a segurança e ao acesso não discriminatório. Não há viés de vigilantismo no Marco Civil da internet, pelo contrário. É uma estrutura legal, não criminal da esfera cível, não foi feito para criminalizar atos, mas sim para estabelecer limites para determinados procedimentos, tanto de parte de vista do usuário como para quem presta serviço na rede”, finaliza.

Sobre Henrique Faulhaber – Matemático pela PUC-RJ e mestre em Ciências em Engenharia de Sistemas pelo IME-RJ. Desde 2001 é diretor presidente da ISM Automação S/A, acumulando a direção geral da unidade de provimento de acesso.

Políticas de Fomento a TI – TI Maior

O presidente da Fenainfo, Márcio Girão, vai ser um dos participantes do Seminário de Política de Informática no Brasil. “Hoje, as Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC, estão em todos os setores da economia e são utilizadas de forma abrangente por enorme contingente de pessoas, inclusive no Brasil, que está entre os sete maiores consumidores destas tecnologias. As inovações em hardware e software continuam revolucionando indústrias inteiras, mas o papel do país neste cenário é considerado modesto”, avalia.

Segundo Márcio Girão, existem várias políticas, além da vontade demonstrada das autoridades governamentais em alavancar o setor de TI. “Mas falta um insumo fundamental: a liga, parodiando o átomo, a força forte. E ela viria de um projeto de caráter nacional elaborado por governo, empresas e academia com o único foco de prover essa liga entre estes três entes de forma a criar um mercado brasileiro robusto e consumidor de produtos nacionais de qualidade comprovada. Afinal, produzimos no país apenas 25% do que se consome em software”, afirma.

Temas como a Terceirização e o Software Livre estarão em pauta. De acordo com Márcio Girão, a Fenainfo já se manifestou diversas vezes em relação a esses temas. Apoia a ideia de um portal do software público brasileiro que ateste a qualidade e divulgue os produtos de software de interesse público, seja ele livre ou das empresas do mercado. Infelizmente não é o que acontece atualmente no Portal do Software Público Brasileiro sustentado pelo Governo Federal”, critica.

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Márcio Girão

O posicionamento sobre a Terceirização para o setor de TI é o mesmo, segundo Márcio Girão. “Mesmo compreendendo a razões de outros setores que reclamam da precarização dos terceirizados, para o setor de TI ela é altamente desejável. De fato, a precarização já ocorre hoje com mais de 12 milhões de empregados terceirizados do país e estes seriam beneficiados com o PL aprovado recentemente no Congresso, logo, é mais importante “desprecarizar” a realidade atual que impedir a ampliação da terceirização” diz.

Sobre o tema “Cidade Inteligente”, ainda muito incipiente no Brasil, Márcio Girão opina: “Na realidade, o Brasil precisa se tornar um país inteligente. Agora, falando de ‘cidade inteligente’ no conceito de uso das TIC para tornar o seu povo mais bem servido e feliz, com eficiência, justiça e equidade, temos muito a avançar. Não é questão de adotar ou não modelos estrangeiros, muito menos software importado, mas de desenvolver projetos sem o viés de interesse político-eleitoreiro e focado na meta que satisfaça o conceito acima”.

Márcio Girão acrescenta que diversos problemas cruciais de nossas cidades poderiam ter suas soluções fortemente apoiadas pelas TIC: transportes, eficácia dos serviços públicos, gestão do tráfego, segurança pública, consumo de energia, saúde e educação dos mais necessitados são alguns exemplos.”Claro que existem iniciativas em algumas cidades, mas não se pode confundir cidade inteligente com cidade com internet, como alguns já o fizeram. Temos que ter problemas específicos resolvidos com objetividade e utilizando a capacidade instalada das empresas brasileiras das TIC”.

Outro tema de discussão é a burocracia que envolve o setor de TI. Para Márcio Girão, o problema maior não é a burocracia, mas os métodos atualmente usados para fomentar este setor. “Eles precisam de uma revisão urgente e isso faria parte do projeto nacional citado acima. Precisamos aliar fomento com a demanda das empresas que aqui atuam, por exemplo, a Petrobras poderia ter um programa de substituição das importações de software profissional que seria fomentado pelas agências governamentais como a Finep“, avalia.

A palestra irá ainda orbitar o momento de crise que o Brasil passa e as consequências para o setor de TI. “Todos sabemos que nas crises o aumento da produtividade se torna a melhor forma de resolvê-las. É assim nos países mais avançados do mundo. Também sabemos que a TI é insumo essencial para o aumento da produtividade. Atualmente, faz-se o contrário: onera-se o setor; quebra-se a demanda com projetos de exclusão das empresas de mercado nos negócios com o governo; contingenciam-se as verbas para fomentos oficiais. Uma coisa é certa: o setor vai sair bem menor dessa crise e é muito mais fácil e rápido destruir que construir quando se fala em tecnologia”, conclui.

Sobre Márcio Girão – Empresário de Tecnologia da Informação. Presidente da Federação Nacional das Empresas de Informática – Fenainfo; Membro e ex-diretor presidente do Conselho Diretor da Sociedade para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Softex. Membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia e do Conselho Diretor da Riosoft. Engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP.