Seção Incubadoras

Anprotec é líder no movimento de gestão de incubadoras e mostra por que é fundamental no desenvolvimento do setor no país

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A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) é uma associação que representa e defende os interesses das entidades promotoras de empreendimentos inovadores – em especial as gestoras de incubadoras, parques tecnológicos, polos e tecnópoles, fortalecendo esses modelos como instrumentos para o desenvolvimento sustentado do Brasil, objetivando a criação e o fortalecimento de empresas baseadas em conhecimento.

Em entrevista à TI Maior, o vice-presidente da Anprotec, José Roberto Aranha, conta um pouco da história da Anprotec e sua importância para o setor nacional da TI.

Confira abaixo:

TI MAIOR – Fale sobre a incubadora e suas principais áreas de atuação. Qual a data de criação e trajetória?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - O conceito original de incubadora estava ligado à proteção/apoio a um empreendimento nascente até que ele estivesse preparado para sobreviver sozinho no mercado. As empresas que nascem em ambientes protegidos têm 3,45 x mais chances de sobreviver. Hoje, existem vários mecanismos para estimular e ajudar as startups, mas o princípio continua o mesmo.

Criada em 1987, a Anprotec reúne cerca de 350 associados, entre incubadoras de empresas, parques tecnológicos, instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos e outras entidades ligadas ao empreendedorismo e à inovação. Líder do movimento no Brasil, a Associação atua por meio da promoção de atividades de capacitação, articulação de políticas públicas, geração e disseminação de conhecimento.

A trajetória da Anprotec está diretamente ligada ao desenvolvimento de incubadoras de empresas e parques tecnológicos brasileiros. A implantação desses ambientes em diferentes regiões disseminou a ideia do empreendedorismo inovador no país, desencadeando a consolidação de um dos maiores sistemas mundiais de parques tecnológicos e incubadoras de empresas. Atualmente, o Brasil conta com 369 incubadoras de empresas e cerca de 94 iniciativas de parques tecnológicos.

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José Roberto Aranha

TI MAIOR – Quais os principais projetos da incubadora? Cite, por favor.

JOSÉ ROBERTO ARANHA - Existem incubadoras em todas as áreas do conhecimento. As startups de informática são as mais conhecidas. As incubadoras podem ser fortes na mentoria, em ajudar a captar recursos, em ambientes propícios à inovação e podem ter objetivos de retorno de capital ou social.

Nosso projeto que possui uma boa visibilidade é o Programa de Promoção da Economia Criativa, que tem a parceria da Samsung e já conta com a inscrição de 300 startups para a segunda rodada. Entre as empresas inscritas, dez serão selecionadas para participar da iniciativa. Além de apoio financeiro, que pode chegar a R$ 250 mil por empreendimento, as startups terão acesso a um amplo pacote de serviços que visam o aprimoramento tecnológico e mercadológico de seus produtos e serviços.

Os empreendimentos submeteram propostas alinhadas às áreas de interesse da Samsung: saúde digital, bem-estar e fitness; educação digital; segurança; privacidade & furto; soluções de convergência e conectividade; finanças digitais; operadoras de telefonia móvel e consumidores; gestão de baterias; e novas experiências em redes sociais.

As propostas submetidas serão avaliadas por uma banca especializada, que definirá as startups e as respectivas incubadoras selecionadas. Nesta rodada, participam 12 incubadoras de empresas associadas à Anprotec, de diferentes regiões do Brasil. O resultado da seleção será divulgado no próximo dia 20 de outubro, durante a 26ª Conferência Anprotec, em Fortaleza, Ceará.

O Programa de Promoção da Economia Criativa é resultado de uma parceria firmada entre a Associação, a Samsung e o Centro Coreano de Economia Criativa e Inovação (CCEI), com o apoio do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC). Na primeira rodada do Programa, 106 startups se candidataram e oito foram selecionadas para acelerar seus projetos durante seis meses por meio de atividades intensivas em mentoria, capacitação e apoio financeiro.

ilustraçao-principal Anprotec

TI MAIOR – Quais os principais meios de investimento dos projetos e da incubadora?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - A incubadora investe principalmente em serviços jurídicos, mercados, tecnológicos e de networking. Seus projetos mais fortes podem estar ligados à cultura empreendedora (hacathons, encontros de criatividade e de desafios, capacitação etc), ao processo (indicadores de desempenho, serviços especializados) ou à preparação da graduação das empresas como (pichs, encontro com investidores, prêmios, etc). Empreendimentos apoiados por incubadoras possuem características diferenciadas, tais como uso de tecnologias em seus negócios, desenvolvimento de inovações, escalabilidade e potencial para receber aporte de capital.

Portanto, é necessário criar uma nova estratégia de desenvolvimento, utilizando ecossistemas de inovação, como parques tecnológicos e cidades inteligentes, e mecanismos de geração de empreendimentos, como as incubadoras e aceleradoras de empresas, permitindo o avanço para uma sociedade e uma economia do século XXI. Os resultados do segmento das incubadoras indicam que um novo horizonte está se abrindo para uma nova geração de empreendedores, de modo que a inovação se torna o principal diferencial competitivo em um mundo cada vez mais desafiador e repleto de oportunidades. O papel do segmento de incubadoras da empresa deve auxiliar no desenvolvimento local sustentável. Ao apoiarem a criação de empreendimentos inovadores, essas instituições contribuem de forma efetiva para a geração de emprego e renda nos mercados onde estão inseridas.

TI MAIOR – Quais as principais áreas estratégicas da incubadora?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - Seleção de bons empreendedores/ empreendimentos, gestão de rápido crescimento dos empreendimentos e captação de recursos financeiros.

TI MAIOR – Como é feita a seleção de projetos/ empresas?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - São vários os processos, através de edital e banca de seleção, de entrevistas ou sob forma de convite.

TI MAIOR – Quais os principais projetos que foram desenvolvidos e renderam frutos?

JOSÉ ROBERTO ARANHA -Temos várias empresas de sucesso no Brasil. Temos exemplos de incubadoras que desafiam a crise e seguem gerando empresas de sucesso espalhadas por todo o país. Em Florianópolis (SC), o Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), associado à Anprotec, emprega diretamente 800 pessoas. Outros 45 mil empregos são gerados pelas 28 empresas incubadas e 93 graduadas pela incubadora.

Nos últimos dois anos, em meio à crise econômica, o Celta graduou cerca de 15 empresas, que ingressaram no mercado com faturamento próximo a R$ 1 bilhão. Em Santa Rita do Sapucaí, no interior de Minas Gerais, outro caso de impulso à economia local a partir do empreendedorismo inovador. Fundado em 1965, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), tem incubadora em sua estrutura desde o início de suas atividades. Hoje, essa incubadora contabiliza sete empresas incubadas e 55 graduadas. Juntas, elas faturam R$ 250 milhões por ano e geram 1,5 mil empregos, entre diretos e indiretos.

TI MAIOR – Quais os projetos/empresas novos?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - Na última edição do Prêmio Anprotec, Edição 2015, tivemos os seguintes vencedores:

• Parque Científico e Tecnológico (PCT): Porto Digital (PE)
• Incubadora de Empresas Orientada para a Geração e Uso Intenso de Tecnologias (PIT): Supera Incubadora de Empresas (SP)
• Incubadora de Empresas Orientada para o Desenvolvimento Local e Setorial (DLS): Incubadora de Empresas Habitat (MG)

Empresa Graduada (EG)

1° lugar: HI Technologies (PR)
2° lugar: DAP Engenharia Florestal (MG)
3° lugar: BioClone Produção de Mudas (CE)

Empresa Incubada (EI):
1° lugar: TNS (SC)
2° lugar: PNP Soluções em Bioengenharia (SC)
3° lugar: Forebrain Neurotecnologia (RJ)

Projeto de Promoção da Cultura do Empreendedorismo Inovador (CEI): Inova Prati, do grupo Prati-Donaduzzi (PR).

TI MAIOR – Quais as maiores dificuldades enfrentadas?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - Amadurecimento da relação da tríplices hélice (governo, universidade e empresa). Estamos fazendo uma missão pela Holanda e Suécia, atuais lideranças na Europa e, nesses países, o objetivo de cada um dos atores e do país. Eles estão trabalhando bem integrados.

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TI MAIOR – Como o governo poderia se tornar mais participativo e beneficiar a Incubadora?

JOSÉ ROBERTO ARANHA - O governo precisa facilitar o processo de inovação através de legislação própria e eliminação de burocracias. Muitas vezes o uso do solo é fundamental para se criar estes ambientes, e uma política estratégia de investimento deve ser feita para aumentar a competitividade do país. Se o governo e a sociedade, de forma alinhada com as universidades e as empresas, entenderem o papel da inovação e do empreendedorismo no crescimento econômico e social, poderemos construir um novo país, mais moderno e com mais qualidade de vida.

Sobre José Roberto Aranha
Engenheiro Químico pela UFRRJ com pós-graduação em Administração pela PUC-Rio, formado em Comércio Exterior pela Funcex, do Rio de Janeiro, e em empreendedorismo pela Southeastern University (Fort Lauderdale, Estados Unidos). Foi diretor e fundador do Instituto Gênesis da PUC-Rio e leciona como professor convidado em empreendedorismo e inovação do MBA de Gestão do Conhecimento do CRIE/Coppe UFRJ. É consultor Ad Hoc da UNESCO e participa do conselho da BRAIN Ventures, do conselho empresarial de Tecnologia da FIRJAN, de Tecnologia da ACRJ, do Fórum Brasileiro de Economia Criativa e da Câmara Setorial de Economia Criativa da ALERJ. Foi diretor da Anprotec de 2000 a 2007, diretor de novos empreendimentos da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro de 2011 a 2012, além de membro dos Conselhos do Instituto Endeavor Brasil, do Instituto Educacional da Rede de Incubadoras do Rio de Janeiro (REINC) e ANITEC