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WCIT: Brasil sedia debate sobre Era Digital com outros 80 países

Jeovani Salomão conta detalhes do evento, que recebeu líderes do setor de todo o mundo em Brasília

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Pela primeira vez, a América do Sul recebeu o Congresso Mundial de Tecnologia da Informação (WCIT Brasil 2016) em outubro, no CICB – Centro de Convenções Internacional do Brasil, em Brasília. Promovido pela World Information Technology and Services Alliance (WITSA) com co-organização da Federação das Associações Brasileiras de Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional), a 20ª edição do evento reuniu empresários, investidores, CEOs, acadêmicos e personalidades da cadeia Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) de mais de 80 países. Segundo Jeovani Salomão, presidente da Assespro Nacional e co-organizador do WCIT no Brasil, o evento teve a presença de mais de dois mil líderes empresariais da área para discutir temas que fazem parte da Era Digital, gerando negócios capazes de internacionalizar marcas e potencializar a participação brasileira no cenário global.

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Jeovani Salomão dá entrevista para a TI Maior

“A seleção ocorreu em 2012, quando ganhamos da África do Sul. Esse evento da área de TI tem a mesma importância das Olimpíadas. Ganhamos a chance ancorada nas propostas do Governo Federal, da Embratur e do setor. Foram muitos fatores que contribuíram, inclusive o momento de visibilidade econômica que estávamos passando, com o setor abocanhando 8% do PIB, bem como o fato de o Brasil ter sido sede da Copa do Mundo e Olimpíadas. E o fato de ser um evento de negócios em Brasília também tem um peso que pode ser somado”, avalia.

Confira a entrevista de Jeovani Salomão para a TI Maior:

TI MAIOR – Como foi a escolha do Brasil para sediar, pela primeira vez, essa edição do WCIT?

JEOVANI SALOMÃO - O WCIT, guardadas as devidas proporções, é a Olimpíada do nosso setor. Da mesma forma que nos jogos olímpicos o Brasil teve que se candidatar e competir com outros países do mundo inteiro. Fizemos uma proposta que foi submetida ao board da WITSA em 2012, no evento do Canadá, e fomos os vencedores. A WITSA, ainda mantendo a analogia com as Olimpíadas, é o COI do setor de Tecnologia da Informação e reúne, ao redor do mundo, 82 entidades, uma por país. As empresas associadas a WITSA representam mais de 90% do faturamento global do segmento que gira em torno de 4 trilhões de dólares por ano.

TI MAIOR – Quais os ganhos para o país em sediar um evento desse porte, principalmente em relação ao momento instável da economia o qual passamos e que começa a sua retomada?

JEOVANI SALOMÃO - Nas edições do evento é comum a participação de mais de 60 países e mais de 500 participantes do exterior, totalizando cerca de 2.500 pessoas por congresso. A cidade sede, além dos visitantes, recebe atenção na mídia mundial algumas semanas antes, durante e nas semanas posteriores ao evento.

Considerando a situação atual do Brasil, a repercussão de notícias positivas para o mundo é fundamental em nossa retomada de crescimento. Um dos fatores que levaram à crise econômica atual foi a diminuição substantiva do preço das commodities. Ocorre que um país com a nossa magnitude não pode se permitir ter como motor da economia apenas produtos de baixo valor agregado.

Dessa forma, o evento é uma poderosa ferramenta para divulgar mundialmente o desempenho do setor de TI no Brasil, colaborando para que o segmento entre definitivamente na prioridade nacional. Justamente neste sentido, o Governo do Distrito federal tomou a decisão de efetuar o lançamento do Parque Tecnológico no evento, com a ambição de atrair investidores para o país. A propósito, quando fizemos o convite ao presidente interino Michel Temer para a mesa de abertura do evento, foram essas as palavras dele para o Secretário Geral da WITSA: “Precisamos que vocês nos ajudem a trazer investimentos para o Brasil”.

TI MAIOR – E o que o Brasil precisa, de maneira prática, para voltar a crescer no setor de TI?

JEOVANI SALOMÃO - Ao trazer eventos desse porte, você pode alavancar de algumas maneiras o setor. Um evento dessa magnitude aumenta a compreensão das instituições e da academia do setor e, assim, aumenta ainda o entendimento das entidades em relação ao cenário de TICs. Praticamente, a TI brasileira precisa de políticas públicas planejadas para voltar a crescer. Temos questões importantes como a questão tributária, ICMS de software, questões trabalhistas. Por que um colaborador da área de TI, por exemplo, deve bater ponto de forma retrógrada, sem ter horário flexibilizado e não pode receber por tarefa realizada, por exemplo? Precisamos debater, sempre, essas questões, muito sensíveis para nós. Também devemos questionar o investimento em startups, bem como no software nacional.

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TI MAIOR – Com o tema “Promessas da Era Digital – Desafios e Oportunidades”, que tipo de debates foram realizados sobre o assunto?

JEOVANI SALOMÃO - A Era Digital avança a passos largos, dia a dia, em nossa vida cotidiana. Muitas vezes isso ocorre de forma perceptível como, por exemplo, quando utilizamos nossos dispositivos móveis para efetuar ou receber serviços. E às vezes, de forma menos perceptível, quando ligamos uma luz ou damos partida em nosso carro. A sociedade já vive hoje dilemas desse processo, como no caso Uber X Taxi, ou em como sustentar a atenção de um aluno em sala de aula, competindo com as tentações das redes sociais, jogos eletrônicos e conversas online.

Assim, os desafios vão se apresentar em diversos setores, como no caso da medicina, onde já são impressos cartilagens, ossos e até músculos em impressoras 3D. Na área social, vimos diversos levantes coordenados em aplicativos que permitem conversas em grupo. Na área econômica, nas relações entre países, na cultura. Enfim, nossa vida inteira sofrerá impactos. Com mais de 50 palestrantes confirmados, sendo que mais de 40 de fora do país, tivemos a oportunidade de debater em alto nível a sociedade do futuro.

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TI MAIOR – E de que forma esse tipo de debate pode transformar a Era Digital mais igualitária entre as diversas camadas da sociedade?

JEOVANI SALOMÃO - É impossível não citar a invasão da TI em todos os aspectos, da medicina à educação. No geral, o que é importante citar é que a economia está se transformando com a TI, pois ela aumenta o acesso, diminui as instâncias sociais e de atendimento ao cidadão. E, quando todos têm acesso à internet e seus serviços, esse gap diminui e o mundo fica mais igual em oportunidades.

TI MAIOR – Com o termo Cidades Inteligentes em alta, como o Brasil pode caminhar para se tornar um país com muitas cidades do tipo? Qual o melhor exemplo a ser seguido?

JEOVANI SALOMÃO - De novo, só consigo trazer investimentos quando trago o mundo inteiro para Brasília. Particularmente, não gosto muito desse termo Cidades Inteligentes, pois não são as cidades que precisam mudar apenas, mas a cidadania em si. Obviamente o cidadão tem que ter acesso a serviços inteligentes, as contas devem ser pagas de uma maneira fácil, a matrícula na escola pública deve ser feita também de forma digital.

Há bons exemplos a serem seguidos, como a Coreia que, nos últimos anos, se tornou completamente digital. E Guadalajara, no México, que se tornou um novo Vale do Silício. Tudo isso será debatido no WCIT. Afinal, o Brasil é reconhecido mundialmente como um país inovador e importante no setor de TI, falta apenas nós reconhecermos isso.


TI MAIOR – Como está o setor de TI no Brasil?

JEOVANI SALOMÃO - O setor de TI do Brasil continua crescendo, apesar da recessão. É um setor que, pela sua transversalidade e volume (8% do PIB), possui os requisitos para liderar o Brasil na retomada econômica. Ainda enfrentamos enormes desafios, como a alta carga tributária, a legislação trabalhista atrasada e movimentos retrógrados que defendem a restrição na terceirização de serviços especializados e a regulamentação da profissão, como disse anteriormente. Nosso potencial é gigante e, portanto, precisamos colocar esse tema como centro das políticas econômicas do país