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Empresários falam sobre o desafio de trabalhar com o Software Profissional

Novidades do ramo e desenvolvimento nacional: o que é preciso para o Brasil deslanchar na área

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Não é de hoje que as empresas nacionais apostam em desenvolver software de engenharia de alta complexidade.

Duperron Marangon Ribeiro, CEO da PHD Soft, está há vinte anos no mercado de Sofware Profissional que, na sua opinião, ainda está engatinhando no Brasil. “Com certeza o software é a bola da vez, mas tem muito para ser feito. O software de engenharia requer anos de estudo e, normalmente, os empreendedores que apostam nesse tipo de negócio são mais velhos, estão na faixa dos quarenta anos e já fizeram mestrado e doutorado. Não é qualquer pessoa que tem condições de fazer um trabalho como esse, muito menos essa garotada. Por isso o nosso país sai em desvantagem no setor, pois é o profissional mais velho que vai se dedicar a fazer esse trabalho, que não tem nada de trivial. Ele percebe uma oportunidade e faz”, diz o engenheiro.

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Duperron Marangon Ribeiro, CEO da PHD Soft

A empresa de Duperron é a responsável por criar o software C4D, a primeira tecnologia de gestão de manutenção e integridade de estruturas críticas, muito utilizada em plataformas offshore, navios e estruturas de grande porte.

Todas as plataformas da Petrobras, por exemplo, são adeptas da tecnologia, que hoje é comercializada nos Estados Unidos. “Trabalhava como professor da UFRJ e, quando fui solicitado para participar de uma consultoria para realizar um serviço de volume de reparo de um navio da Docenave, na época o braço de navegação da Vale do Rio Doce, percebi que seria perfeito criar um software que pudesse conseguir uma previsão muito melhor e mais rápida em função e mapeamento das condições. O que levaria para fazer um ano na mão, consegui realizar em um mês”, explica ele sobre o software, que foi desenvolvido na plataforma C++ e C#.

PhDsoft C4D

De olho nas possibilidades de mercado, Duperron pretende focar no mesmo software, mas para outros setores. “O C4D está disponível para gestão e integridade de tubulação, caldeiras, indústrias alimentícias, vasos de pressão, regulamentações. Pode ser usado em pontes como um sistema de gestão que, se for acompanhado ao longo do tempo, pode ser consertado antes de causar um problema mais grave”, explica.

O C4D está disponível para gestão e integridade de tubulação, caldeiras, indústrias alimentícias, vasos de pressão e regulamentações

Para as empresas que pretendem ingressar no setor, Duperron destaca que vender um Software Profissional não é uma tarefa simples. “Para vender um sistema complexo, normalmente é uma decisão que passa por várias pessoas da companhia. Costumo dizer que entrar pode ser muito difícil e sair fácil demais. O importante é entregar um produto de alto valor para uma empresa e manter um relacionamento de longo prazo, crescer de uma maneira sustentável, mais segura”, avalia.

Os mercados que podem ser explorados são muitos. “O SP pode abordar cada um dos problemas do país. Já pensei em desenvolver um software específico para a democracia direta, por exemplo. Um amigo meu está desenvolvendo um que pode ser usado em todo o treinamento da polícia, para casos de reação a situações de risco, passeatas, treinamento e sensores capazes de detectar o som de disparo da arma. Muita coisa já podia estar automatizada e detectar problemas, mas é preciso que o governo e as empresas se preparem para essa mudança”.

De olho nas possibilidades de mercado, Duperron pretende focar no mesmo software

Alexandre Abdala, Gerente de Planejamento Financeiro e TI na DOX Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Imobiliário, concorda com Duperron.

Para ele, apesar de o setor estar em plena expansão com a migração dos chamados “sistemas desktop” para a nuvem, ainda precisa de mão de obra qualificada. “Esse é um fator que no curto prazo certamente impactará no desempenho e crescimento do setor. A situação é preocupante e é fundamental que medidas de curto, médio e longo prazos sejam tomadas a fim de garantir a continuidade do seu crescimento e desenvolvimento”, avalia.

Desta forma, as grandes companhias do setor já investem no aprimoramento e desenvolvimento de novas tecnologias que, em contrapartida, impulsionam as áreas de Infraestrutura e Desenvolvimento de Software a se adequar a estas novas demandas.

Alexandre Abdala completa: “Para suportar o ritmo em que estas tecnologias evoluem, cabe às empresas da iniciativa privada investirem na qualificação e atualização do conhecimento de seus colaboradores, uma vez que a qualidade do ensino público na área de TI é insatisfatória. Faz-se necessário criar uma cultura de aprendizado e evolução contínua da mão de obra, pois o fator humano neste e em qualquer setor, é um dos principais mecanismos que impulsionam o crescimento”.

Alexandre Abdala afirma ainda que, mesmo com um cenário econômico desfavorável este ano, onde vários outros setores já preveem uma tendência de retração, o setor de desenvolvimento de SP deve manter sua tendência de investimentos e crescimento.



Alexandre Abdala, da DOX Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Imobiliário

“No ano de 2014, o Brasil ficou posicionado em 7º lugar no ranking mundial com investimentos de aproximadamente US$ 60 bilhões, conforme divulgado em pesquisa do IDC (International Data Corporation) abrangendo todo o setor de TI (hardware, software e serviços). Nesse ponto, deve-se considerar também o crescimento do uso do software na modalidade SaaS (Software as a Service), impulsionado pelas grandes companhias como Microsoft, Google, Autodesk e, consequentemente, da oferta de serviços de armazenamento em nuvem e Cloud Computing como o IaaS (Infrastructure as a Service) e o PaaS (Platform as a Service)”, diz.

Alexandre reforça que a DOX, que atua no Gerenciamento de Empreendimentos, na Gestão de Ativos e no Desenvolvimento Imobiliário, se utiliza do que chama de Inteligência de Engenharia com base num forte investimento em TI.

“Para a operação (Arquitetura e Engenharia), nossos investimentos estão concentrados na Plataforma Autodesk, com o uso do Autocad 2015, Revit Architecture e Revit MEP 2014, e Graphisoft Archicad 16. Também possuímos um forte investimento em BIM – Building Information Modeling, através de software americano e inglês como o Solibri Model Checker para a modelagem 3D e o Synchro Pro, para a modelagem 4D (Scheduling)”.

Segundo Alexandre Abdala, a plataforma BIM possibilita produzir mais, melhor e com menos recursos, utilizando-o como ferramenta estratégica, facilitando o desenvolvimento e adoção de ferramentas de controle de custos, prazos e riscos muito mais precisas.

Além do licenciamento destas suítes, outra aposta da DOX é a computação em nuvem para armazenamento de dados de seus clientes. Para isso, a empresa criou uma plataforma própria de Inteligência de Engenharia: o DOXMANAGER®.

“É uma aplicação voltada especificamente ao mercado da Construção Civil e desenvolvida com base em dois conceitos estabelecidos internacionalmente para o gerenciamento de projetos: § PMBOK® Guide do PMI – Project Management Institute dos EUA e § PRINCE2™ do OGC – Office of Government Commerce do Reino Unido. Iniciamos o desenvolvimento desta plataforma em 2013 e estamos agora na fase final, sendo que nossa meta para 2016 é que ela esteja 100% concluída e operacional. Possuímos uma área de negócios própria, composta por profissionais da área de TI, que é responsável por efetuar as análises de processo e introduzir as melhores práticas nas rotinas de gerenciamento, deste mercado tão dinâmico e complexo que é a Construção Civil”.

Segundo o empresário, a arquitetura da plataforma foi desenvolvida para ser utilizada 100% em ambiente web, para garantir a mobilidade e acesso em tempo real as informações, sem abrir mão da segurança dos dados e utilizando as tecnologias mais modernas de TI (Microsoft ASP.NET MVC e SQL SERVER).

Outro SP que merece destaque é o Tábua das Marés. Ele permite que o usuário escolha o porto e o dia, exibindo as informações de baixa e alta da maré, incluindo um gráfico avançado e interativo do comportamento da maré naquele dia. O usuário inicialmente escolhe um porto favorito, para que tenha a informação o mais rápido possível, sempre que abrir o aplicativo, mostrando a maré do dia.

App permite que o usuário escolha o porto e o dia, exibindo as informações de baixa e alta da maré.


Veja o que o sistema oferece:

. Gráfico interativo das marés: toque no horário desejado para ver as informações daquele momento.
. 100% offline: não é necessário conexão com a internet para acessar as informações
. Principais portos do Brasil cadastrados
. Porto favorito: sempre que abrir o app, será mostrada a maré do dia para o porto escolhido (pode ser alterado posteriormente).
. Porto mais próximo: utilize seu GPS para localizar o porto mais perto
. Maré atual: é exibido ao usuário o nível atual da maré para o porto selecionado.
. Fases da lua: acompanhe também a fase da lua para o dia selecionado.
. Mapa do porto: saiba a localização exata do porto selecionado, podendo traçar rotas com o app Mapas.
. Toque na data atual e escolha facilmente qualquer data.