Entrevista

Uma deputada a favor da valorização trabalhista. Em todos os âmbitos

Geovânia de Sá fala sobre desenvolvimento de Projeto de Lei que valoriza os serviços complementares

comente:

, ,

Eleita recentemente vice-líder da bancada na Câmara Federal pelo deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara dos Deputados, a deputada Geovânia de Sá (PSDB/SC) tem como uma das principais bandeiras a defesa dos direitos trabalhistas. E foi justamente sobre o seu envolvimento com o setor de TI que ela falou em entrevista exclusiva à TI Maior, além de um Projeto de Lei com o objetivo de regularizar a interação entre as empresas de TI. “O PL contempla principalmente as empresas de tecnologia da informação, pois é um serviço que precisamos regulamentar e valorizar urgentemente. O profissional de TI é um profissional qualificadíssimo e raro no mercado de trabalho. A profissão e, ao mesmo tempo, o serviço, estão presentes em todas as empresas e órgãos do governo”, diz a deputada.

Leia a entrevista completa abaixo:

TI Maior – Na sua trajetória política, você sempre esteve envolvida em questões relacionadas ao trabalho em geral. Fale um pouco sobre o interesse por essa área e os principais pontos que contribuiu para o desenvolvimento do setor durante a sua carreira.

Deputada Geovânia de Sá – Trabalhei por 15 anos na área de tecnologia da informação no Grupo Empresarial Jorge Zanatta, quando fui convidada a me especializar em Gestão de Pessoas para, depois, montar o setor de Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Em 2009, o então prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), conhecia meu trabalho no grupo e me convidou para ser secretária de Assistência Social e Habitação do seu governo. Aceitei o convite mesmo sem ser filiada a qualquer partido político. Fiquei à frente daquela secretaria por quatro anos.

Em 2011, me filiei ao PSDB e, em 2012, fui a candidata a vereadora mais votada na história da cidade. Eleita, assumi a Secretaria de Saúde da cidade e, um ano depois, me candidatei ao cargo de deputada federal, posição que ocupo atualmente.

No desenvolvimento de cada uma destas funções, reafirmei o que já acreditava desde muito jovem: o trabalho pode mudar a vida de uma pessoa e levar qualquer indivíduo ao sucesso pessoal, à sua plena satisfação, principalmente, quando a pessoa possui as ferramentas necessárias para desempenhar o seu papel. E, claro, o reconhecimento a esse empenho.

É por isso que procuro sempre me envolver em todas as situações que podem melhorar as condições de trabalho das pessoas e, assim, proporcionar uma melhor qualidade de vida a cada uma delas.

TI Maior – Sobre a Lei da Terceirização para todos os serviços, aprovada em 2015, o seu voto foi contra. Por outro lado, mostrou ser flexível em relação ao tema trabalhista ao desenvolver o Projeto de Lei de Serviços Complementares. Qual o objetivo deste PL e quais os principais pontos dele?

Deputada Geovânia de Sá – O Projeto de Lei está em desenvolvimento. Sou contra terceirizar o chão de fábrica, a mão de obra diretamente ligada ao principal produto da empresa. Assim, o PL contempla as empresas de tecnologia da informação, sendo que a maioria delas presta serviços.

A maioria é um serviço meio da empresa, o que precisamos regulamentar e valorizar urgentemente. O profissional de TI é qualificadíssimo e raro no mercado de trabalho. A profissão e, ao mesmo tempo, o serviço, estão presentes em todas as empresas e órgãos do governo.

Deputada Geovânia de Sá


TI Maior – Como enxerga a economia colaborativa da área de TI? Muitos empresários são contra por conta da precarização da mão de obra, enquanto outros acreditam que é uma evolução natural da economia mundial. Qual a sua opinião sobre os serviços que fazem parte desse guarda-chuva, como Uber e Hotel Urbano, por exemplo?

Deputada Geovânia de Sá – Apesar de a economia colaborativa não ser novidade para muitos, foi só depois de o indivíduo estar inserido no mundo virtual o tempo todo que o tema passou a ser pauta de inúmeras discussões no Brasil. Hoje, temos uma série de aplicativos que estão à disposição de todos, proporcionando a evolução desse modelo de economia nos mais diversos setores.

Desta forma, sabemos que o bem mais precioso de uma organização é a informação por ela gerada. No entanto, de nada adianta termos a informação se não pudermos transformá-la em conhecimento. É aí que entra a TI. E a economia colaborativa faz uso dela. As empresas que entram neste nicho aproveitam da informação que possuem (no caso, seu produto) e enxergam, a partir da TI, uma forma de expandir seu conteúdo de uma maneira muito mais eficaz. A iniciativa é louvável. O problema é a resistência do público, já que há uma quebra muito grande de paradigmas.

Vamos exemplificar, usando o tão polêmico Uber. O usuário passou a ter mais opções e viu os benefícios, inclusive, em seu bolso. O taxista sentiu a queda na procura por seu serviço. Mas ele pode passar a oferecer um algo a mais, tornar o seu serviço diferenciado e insubstituível e, assim, ir ganhando mais capacidade para exercer o seu papel. Quem ganha? Todos.

Quanto à precarização da mão de obra, vejo da seguinte forma. Você passa a pedir pizza por um aplicativo. O dono da pizzaria não vai mais precisar de tantos atendentes, mas de mais profissionais de TI. Nós estamos constantemente evoluindo e o mercado de trabalho também. Neste caso, facilitando a vida das pessoas. O ponto negativo é a diminuição das relações sociais. O ser humano está se virando sozinho e perdendo o contato com os demais.

TI Maior – Como enxerga o mercado de trabalho no Brasil, atualmente? Na área de tecnologia, muitos impostos fazem com que o setor seja um dos mais sobrecarregados, o que onera a contratação no regime CLT. Com a crise que estamos passando, essa situação se agravou. O que acha que pode ser feito para que haja uma mudança neste cenário?

Deputada Geovânia de Sá – É fato que os encargos trabalhistas oneram, e muito, as empresas. Precisamos reduzir consideravelmente esses encargos para incentivarmos as contratações dos profissionais de TI minimizando, assim, seus custos fixos.

Sobre a deputada

Geovânia de Sá é deputada federal e tem como principais bandeiras a busca pela melhoria das políticas públicas de saúde, a defesa dos direitos trabalhistas e a luta em favor da vida e da família. Cursou Administração de Empresas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Fez pós-graduação em Administração Estratégica de Pessoas e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.

Foi Secretária Municipal de Assistência Social e Habitação de Criciúma, onde articulou e coordenou a participação do município no programa “Prefeito Amigo da Criança”, da Fundação Abrinq, que deu o título à cidade.

Em 2012, foi eleita a vereadora mais votada da história de Criciúma, assumindo como líder do Governo na Câmara Municipal. Em 2013, foi convidada a assumir a Secretaria de Saúde do município e permaneceu como gestora da pasta até 2014. Eleita como a primeira deputada federal do Sul de Santa Catarina, é também a primeira mulher a exercer o cargo pelo PSDB catarinense e seu mandato se estende até 2018