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Copa Rio Info de Algoritmos (CRIA) revela talentos da Ciência da Computação e se torna tradição no Rio Info

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O CRIA inovou com a ferramenta PortugolStudio

A Copa Rio Info de Algoritmos (CRIA), uma competição nacional entre estudantes de nível médio e técnico promovida pelo Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro (TI Rio) e pela Federação das Empresas de Informática (Fenainfo), mobilizou 53 instituições inscritas na edição deste ano do evento Rio Info.

A vencedora da competição, realizada desde 2007, foi a ETE República–Faetec, do Rio de Janeiro. As outras três finalistas foram: o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), de Ouro Preto; o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), de Florianópolis, e o Instituto Federal de Educação, e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), de Ibirubá.

Este ano, a etapa final da competição contou com uma grande novidade. Os participantes realizaram as provas por meio das ferramentas Portugol Studio, ambiente de desenvolvimento gratuito projetado por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que permitiu a criação e a execução de programas escritos em Portugol (linguagem de programação), e da Run.Codes, um sistema de submissão e correção automática de exercícios de programação.

Segundo o coordenador da atividade, diretor da Riosoft e vice-presidente do TI Rio, John Forman, as duas ferramentas foram usadas de forma integrada pela primeira vez durante o Rio Info, com o objetivo de automatizar o processo de avaliação dos competidores do CRIA. “O objetivo de experimentar as ferramentas é o de aperfeiçoar o processo de correção e ampliar a quantidade de equipes inscritas. A ideia é adotar a metodologia também nas etapas nacionais a partir do próximo ano”, revelou.

Para falar sobre a disputa, que tem ainda o apoio da Hostnet, Kobo e Univali, além de John Forman, Paulo Golzman, membro da Comissão Organizadora da competição. Confira abaixo a entrevista:

TI Maior: Como e quando surgiu a ideia de fazer a Copa Rio Info de Algoritmos? Ela começou juntamente com o Rio Info, há treze edições?

Jonh Forman e Paulo Golzman: Tudo começou com a a OAH (Olimpíada Hostnet de Algoritmos), organizada pela Hostnet e que visava motivar a formação de profissionais qualificados e suprir as necessidades do mercado e, também, fortalecer o elo entre a iniciativa privada e o sistema educacional. A partir de 2010, contando com o apoio do TI Rio e da Riosoft e mantendo o mesmo foco, o evento passou a ser realizado durante o Rio Info.

Em 2013, por conta da sua ampliação significativa, atraindo jovens e escolas de todo o Brasil, a Hostnet entendeu que deveria permanecer apenas como apoiadora do evento, passando em definitivo a coordenação e execução do mesmo para o TI Rio, Riosoft e Fenainfo. Até para deixar mais clara esta mudança, a competição passou a se chamar CRIA (Copa Rio Info de Algoritmos).

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John Forman, diretor da Riosoft e vice-presidente do TI Rio

TI Maior: Quais os principais objetivos da competição? Quais as suas bases de criação e como os problemas são criados, bem como o nível de dificuldade?

Jonh Forman e Paulo Golzman: O principal objetivo é estimular o aprendizado em ciência da computação, incentivando que cada vez mais escolas e colégios ofereçam disciplinas ligadas à área e que mais jovens se sintam inspirados em buscar uma carreira na área de informática. Os alunos que participam da competição já são reconhecidos em suas escolas (já que apenas uma equipe por instituição de ensino pode se inscrever) e os finalistas são ainda premiados com uma viagem com todas as despesas pagas para participar de um dos maiores eventos de tecnologia e negócios do Brasil.

Sabemos, contudo, que a programação de computadores é percebida como uma atividade muito complexa, e não queremos contribuir com este mito. Daí fazer uma competição em torno de algoritmos, que são a etapa inicial do aprendizado da maioria das linguagens de programação em uso no mundo. Isto inclusive permite que os alunos desenvolvam soluções para os problemas propostos utilizando comandos em Português (alguns consideram que os comandos em Inglês de praticamente todas as linguagens profissionais de programação seja uma barreira adicional para quem não domina este idioma). Assim, os problemas são criados por uma equipe de professores e o grau de dificuldade é totalmente compatível com a grade escolar dos alunos.

TI Maior: Desde que foi criada, o que mudou na competição, principalmente em relação ao cenário tecnológico que vivemos, onde a maior parte dos jovens cresceu diante de tantas tecnologias? Isso ajuda ou atrapalha na competição?

Jonh Forman e Paulo Golzman: O ensino de algoritmos pode ser feito até mesmo sem o uso de computadores. Até o ano passado todas as etapas eram feitas com lápis e papel, sendo inclusive proibido o uso de computadores. Isto era mais uma maneira de não impor grandes barreiras para as escolas e colégios interessados em participar da competição.

Mas a quantidade e diversidade de tecnologias interfere positivamente, e o acesso a laboratórios de informática já não é mais uma barreira tão grande. Muitos alunos contam inclusive com computadores em suas casas e outros tantos já acessam a internet pelo celular. A partir deste ano, a etapa final exige que as soluções sejam desenvolvidas diretamente em computadores disponibilizados para cada equipe.

TI Maior: Qual o perfil do ganhador da CRIA desta edição? Existe um perfil padrão, ou não existe regra?

Jonh Forman e Paulo Golzman: As pessoas que trabalham com programação têm em geral um bom raciocínio lógico e gostam de resolver problemas. Apesar destas características estarem presentes em meninos e meninas, no mercado de trabalho é maior o número de homens exercendo esta profissão. Nas equipes que têm participado, podemos perceber entre os alunos estas mesmas características de um bom raciocínio lógico e interesse pela resolução de problemas. Alguns, inclusive, começam a se interessar pela programação por conta dos games que jogam, tanto em computadores como em tablets e celulares. A boa notícia é que tem aumentado o número de equipes com a participação de meninas.

TI Maior: Como a Ciência da Computação tem sido abordada nas escolas? O que falta para que ela seja efetivamente uma disciplina obrigatória? Como a CRIA pode ajudar nessa inclusão?

Jonh Forman e Paulo Golzman: O ensino de computação nas escolas não é algo novo, com iniciativas nos EUA desde a década de 1960. Existiu uma polêmica em torno de qual seria a idade adequada para colocar uma criança em contato com um computador, mas isto já ficou no passado. Por outro lado, nem mesmo nos EUA o ensino de computação é obrigatório e nem todas as escolas de lá contam com laboratórios de informática.

No Brasil, a situação é muito mais grave, já que por aqui o ensino de computação é a exceção, não a regra. Mesmo nas poucas escolas daqui que contam com um laboratório de informática, nem sempre se ensinam algoritmos ou noções de programação. A CRIA é uma iniciativa justamente para tentar mudar este cenário, até porque o caminho inicial para o ensino de Ciência da Computação, pelo menos para os jovens, passa justamente pela disciplina de algoritmos.

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Paulo Golzman, membro da Comissão Organizadora da CRIA

TI Maior: Efetivamente, a CRIA ajuda estudantes de todos os locais e classes sociais, inclusive os de baixa renda. Como a competição pode incentivar a inclusão da CC e ser um agente transformador do lado social do país?

Jonh Forman e Paulo Golzman: Nos últimos anos, os profissionais de TI são apontados recorrentemente, em todo o mundo, como aqueles cujo salário é maior do que a média geral de todas as demais profissões. Não é diferente aqui no Brasil, onde o salário inicial de um programador está bem acima do salário mínimo. Além disto, algumas iniciativas isoladas de capacitação de jovens oriundos de famílias de baixa renda apresentam resultados excelentes, com os alunos que terminam o curso já empregados ou com estágio. São programas de nível técnico com vários participantes declarando que usaram parte do salário inicial para ajudar com as despesas da família e também para custear um curso superior.

Várias empresas ligadas a sindicatos da Fenainfo têm apoiado, inclusive financeiramente, iniciativas deste tipo. A CRIA é mais uma iniciativa nesta direção, estimulando que mais jovens entrem em contato com o universo da TI e se interessem por uma carreira na área. Até porque faltam no mercado bons profissionais, especialmente na área de programação. Algumas empresas mais antenadas acompanham os jovens participando da CRIA na busca de novos talentos. A Hostnet é uma delas.

TI Maior: Existe a possibilidade de a CRIA se tornar algo maior ainda? Poderia fornecer os dados de quantas pessoas já passaram pelo projeto, quais os números e premiados?

Jonh Forman e Paulo Golzman: A CRIA vem crescendo ano a ano, tanto em números quanto em qualidade. Estamos sempre testando e implantando aprimoramentos. Desde 2007, tivemos aproximadamente 2150 mil pessoas envolvidas com a competição, entre professores e alunos, e foram premiados cerca de 50 participantes. Nossa intenção é que cada vez mais escolas e jovens se sintam motivados a participar da competição.

TI Maior: Quais os planos para a competição do ano que vem?
Jonh Forman e Paulo Golzman: Este ano conquistamos dois novos apoios importantes: o primeiro foi do grupo de pesquisa da Univali que desenvolve o Portugol Studio, que é um ambiente para aprender programação voltado para os iniciantes que falam o idioma português.

Nele, você pode ver os algoritmos em Portugol (comando em português) serem executados no computador. É uma ferramenta gratuita e, sem dúvida nenhuma, um estímulo extra para todos os jovens interessados em programação. O segundo apoio foi dos desenvolvedores do Run.Codes, que é uma ferramenta para correção automática de exercícios de programação.

Neste ano, eles interagiram com a equipe da Univali e o Portugol passou a ser mais uma linguagem suportada, mas não em tempo de ser utilizada pela competição deste ano. Assim, para 2016, estamos planejando novos aperfeiçoamentos para tirar melhor proveito do apoio fornecido por todos os parceiros do CRIA.

Uma demanda já de muitos anos é a ausência de um ranking das escolas/equipes na primeira etapa, muito em função das limitações que temos no processo de correção manual de todas as provas. Aguardem as novidades para 2016!

Confira a entrevista de Paulo Golzman para a TI Rio TV:

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Para conferir os vencedores da competição, clique aqui