Especial

Balanço Rio Info 2015

Abertura do evento prestou homenagem a precursor da TV Digital no país, Luiz Fernando Soares, e discutiu os impactos fiscais e a reação do setor ao cenário de crise

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Abertura do Rio Info

Em sua décima terceira edição, a abertura do Rio Info teve dois destaques: o primeiro foi a homenagem a Luiz Fernando Gomes Soares, professor titular do Departamento de Informática da PUC-Rio e um dos principais especialistas em TV Digital, que morreu na semana anterior ao evento e foi um dos criadores da linguagem NCL e do Ginga.

“Homenageamos o Luiz Fernando pois ele esteve inúmeras vezes conosco em edições anteriores do evento, batalhando pelo reconhecimento e adoção do Ginga no sistema brasileiro de TV Digital, e também pela geração de oportunidades para empresários brasileiros e para a tecnologia produzida no país. Desta maneira, ele estará sempre em nossa memória e continuará fazendo parte de nossas vidas”, disse John Forman, membro do comitê organizador do Rio Info e diretor de Relações Institucionais da Fenainfo.

O presidente do TI Rio e coordenador do evento, Benito Paret, também exaltou o amigo e parceiro de tantas edições de Rio Info. “Fiquei muito impressionado com o falecimento do Luiz. Sem a participação dele, muita coisa não teria acontecido aqui. Hoje, o evento mobiliza diversas autoridades e entidades, adquirindo uma relevância principalmente relacionada ao empenho de cada envolvido nele. O Luiz fazia parte desse time e, aqui, prestamos uma homenagem sincera”, resumiu.

Já o segundo destaque girou em torno da crise do cenário econômico atual e como as empresas podem reagir aos impactos dos ajustes fiscais no setor de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC). “Chegamos aos 13 anos de evento de uma forma muito espontânea. Hoje, estamos aqui para discutir o retrocesso provocado pelo aumento da carga tributária, principalmente para o setor de TI, como a perda da conquista da desoneração fiscal na folha de pagamento. Isso é uma ameaça para o desenvolvimento do setor. Vamos determinar ações prioritárias para o fortalecimento da indústria nacional”, afirmou Benito Paret.

Márcio Girão, presidente da Federação Nacional das Empresas de Informática – Fenainfo, afirmou que o encontro das principais entidades de TIC (Abes, Brasscom, Assespro, Softex e Fenainfo) durante o evento teria o poder de transformar a edição num marco para reação do setor frente à crise.

“O país precisa ter uma postura resiliente e não fragilizada, como percebemos agora. Não temos uma indústria de software competitiva. As empresas multinacionais são bem-vindas, mas precisamos mudar nosso perfil. Temos que deixar de ser consumidores para nos tornar desenvolvedores competitivos em todas as áreas, principalmente na de Software Profissional, onde não fazemos quase nada. E, como o tema da vez é a crise, vamos bater nesta tecla e entender como podemos reagir”, alertou.

Girão destacou ainda que, somente com o aumento dos investimentos e do crédito, além da redução da dependência frente à indústria externa, o país conseguirá mudar de rumo. “Precisamos urgentemente de uma educação de qualidade, desde a primeira infância ao ensino médio. Dessa maneira, o país terá conhecimento para dominar novas tecnologias e inovação”, opinou.

Pedro Celestino também participou da abertura do evento. O recém-empossado presidente do Clube de Engenharia destacou que o setor deve se unir para que o cenário da TI cresça, mesmo com a recente reoneração da folha de pagamento de 2% para 4,5%, (que começa a valer a partir de dezembro próximo), assim como o provável aumento da PIS/Cofins – de 3,65% para 9,25%.

“Nossos filhos e netos merecem ter direito a um futuro melhor. Para isso, temos o dever de estimular o desenvolvimento do setor, mesmo vendo com preocupação as políticas de ajuste fiscal. Cortes de investimentos geram mais recessão e desemprego. Esse modelo não deu certo em outros países em crise, sabemos disso. O setor precisa de segurança para continuar crescendo. Eu e o Clube de Engenharia estamos abertos para trabalhar forte na construção da TI nacional”, afirmou.

O vice-prefeito do município do Rio de Janeiro, Adilson Pires, ressaltou o papel do Rio Info como centro de discussão do futuro da TI do país. E também reforçou que o estado tem investido no setor. “O Rio é muito forte na área de TI. É preciso retomarmos a discussão de apoio e incentivos públicos ao setor para tornar a cidade um ambiente receptivo para as empresas de tecnologia, além de fortalecer ainda mais esse processo de que todo cidadão tenha garantido o acesso à informação”, salientou.

Para o secretário de Políticas de Informática do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, Virgílio Almeida, a hora é de ter ousadia e procurar essa competitividade internacional.

“A crise traz preocupação, obrigando o governo a adotar medidas restritivas. Portanto, o momento deve ser aproveitado pelo setor para assumir a liderança na retomada do crescimento, já que os números da área de TI são mais otimistas do que os da economia em geral. Precisamos aproveitar essa característica da sociedade brasileira e a força da indústria da tecnologia da informação e acelerarmos a saída do momento de dificuldade que o país vive”, disse o secretário, ao destacar que o Brasil é o sétimo maior mercado de tecnologia de informação no mundo.

Rubén Delgado, presidente da Softex – Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – fez coro e afirmou que o empresário brasileiro de TI que não sair da zona de conforto e redirecionar seus investimentos terá prejuízo.

“A alta do dólar é muito propícia à indústria de software, que é globalizada. Por outro lado, toda época de crise traz uma oportunidade para as empresas em geral repensarem suas estratégias, com economia de custo e aumento de produtividade”, reforçou.

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Bancada da abertura do Rio Info

Benito Paret acredita que existem diversas oportunidades para o setor, cada vez mais importante para a economia brasileira: “É fundamental que o empreendedorismo, a inovação e a tecnologia consigam criar os alicerces para o desenvolvimento nacional. É o caminho para uma saída robusta e consistente da crise e capaz de nos levar a outros patamares na disputa global, extremamente competitiva”, disse.

A abertura do evento, que aconteceu no Rio de Janeiro, contou ainda com a presença de representantes da Assespro, Abes, Brasscom, BNDES, CDL Rio, CRCRJ, Faperj, Fenacon, Secretaria de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Proderj, Puc-Rio, Riosoft, Secretaria de Estado de Trabalho e Renda, Sebrae, Sescon-RJ, Softex, Sebrae/RJ, e Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia e Inovação.

Rio Info 2015 encerra com expectativa de geração de negócios de R$ 16,5 milhões

Com estimativa de geração de negócios na casa dos R$ 16,5 milhões em doze meses, o Rio Info 2015 foi um sucesso.

Na Rodada de Negócios, participaram 102 empresas, 83 brasileiras e 19 estrangeiras. Diversas parcerias foram estabelecidas, como as firmadas pela capixaba Master Doc com cinco empresas e expectativa de negócios na casa de R$ 1 milhão e as da canadense Start IDP, com R$ 2 milhões. “O Rio Info é como uma máquina de fazer negócios. Tem todas as oportunidades aqui. Se você estiver com um objetivo, sabendo o que quer, vai sair com uma solução ou, pelo menos, uma ponte para ela”, afirmou o empresário Fábio Oliveira, da MasterDoc.

Já Claudio Just, co-founder da Start-IDP, revelou que saiu do evento investindo em três startups. “Das 55 que vimos durante o evento, escolhemos essa trinca para receber um investimento e, quem sabe, serem internacionalizadas. Mas, além delas, outras empresas também poderão fazer parte de uma preparação para apresentarmos aos nossos investidores”, afirmou.

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Rodada de negócios movimenta o Rio Info

Muitos participantes também foram ao evento para discutir os mais variados temas: Comunidades Inteligentes, Ecossistema Tributário, Marco Civil, Formação Acadêmica, Aplicação da TI na Indústria Criativa, como na música, robótica, esportes, publicidade, e-commerce, experiências de internacionalização e governo eletrônico.

Outro marco desta edição foi a assinatura de contrato para que as primeiras empresas brasileiras tivessem acesso a domínios com nomes próprios. Natura, Vivo, Bradesco, Itaú, Rede Globo, Ipiranga, Uol obteram domínios com o nomes de suas marcas como “.natura”, “.vivo” etc, em substituição ao “.com.br” ou o .org”, por exemplo. O direito também foi obtido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A assinatura do contrato de concessão dos domínios foi feita com a Divisão de Domínios Globais da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN).

O incremento das atividades de internacionalização teve como símbolo a assinatura do contrato de adesão da Softex de Recife (PE), a Start IDP, de Vancouver, no Canadá, e a Integra, de Montevidéu, no Uruguai, à Aceleradora do Atlântico. Elas se juntaram à Riosoft (RJ), ITS (SP), Softsul (RS), Innovaria (Portugal), Prince George (EUA) e Polo IT (Argentina).

Prêmios

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Projeto apresentado no Salão da Inovação

O Salão da Inovação faz parte do evento há sete edições. Neste ano, contou com a participação de 512 projetos brasileiros e internacionais. Na fase final, durante o evento, foram apresentados 26 projetos de 19 estados e cinco países. O principal objetivo da mobilização foi gerar experiência e networking para os empreendedores. A vencedora foi a Any Market, do Paraná.

Também pelo sétimo ano consecutivo, a final do War Games, uma competição que testa a segurança dos sistemas de informática, foi realizada. O vencedor foi Carlos Santos, especialista em segurança da informação da empresa OPM, do Rio de Janeiro.

Clique e veja o programa da TV TI Rio sobre o evento

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