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Competitividade da TI Brasileira em foco

Painel da Softex fala sobre a nova forma que deve ser adotada pelas empresas para não saírem do páreo no novo cenário das TICs

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O mundo mudou. Isso, todos sabem. Agora, o que poucos sabem é como lidar com essa nova realidade digital. E foi justamente sobre como as empresas devem competir nesse novo momento econômico, onde a colaboração se tornou essencial, que a Softex falou nesta 14ª edição do evento Rio Info. Através do painel Competitividade da TI Brasileira, diversos executivos da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Softex levaram ao público presente todo o armamento necessário para se destacar num mercado que exige cada vez mais qualidade e preço.

Segundo Virgínia Duarte, gerente do Núcleo de Inteligência em Software Brasileiro e coordenadora do Observatório Softex, é preciso se alinhar com os antigos concorrentes.

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Virgínia Duarte

“O modelo mudou e os concorrentes de outros setores se tornaram parceiros. O mercado precisa de bons algoritmos. E isso também vale para as pequenas empresas que, a partir de agora, passam a ser mais colaborativas. A liderança passa a ser exercida nessas novas bases”, disse a executiva.

Daí surge a importância das startups, que podem auxiliar no processo de transição.

De acordo com Virgínia, todos os setores envolvidos vão trabalhar em prol da experiência do cliente, que se torna circular e num tempo de entrega bem mais curto. “Essa lei bimodal é difícil de ser implantada, ainda. Muitas equipes têm dificuldade de fluidez e adaptação. Num futuro próximo, as máquinas vão fazer o trabalho de programadores. É por isso que precisaremos ter equipes multidisciplinares com pessoas diferenciadas. Não adianta saber somente a técnica”, adiantou.

Ela acrescentou que a área de TI e Negócios precisa mudar, urgentemente. “Estamos passando por um momento de enorme mudança. O jeito antigo precisa ficar literalmente para trás e as empresas devem adotar essa nova era de competir”, disse.

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Reinaldo Marques

O coordenador de investimentos da Softex Reinaldo Marques falou sobre o fato de que, mesmo em tempos de crise, as empresas de tecnologia crescem nove vezes mais. “O setor tem uma perspectiva muito boa. Nesse ponto, ressalto a importância da inovação e do impulso financeiro para as startups”, explicou.

Dessa forma, ele listou as principais dificuldades encontradas pelas empresas nascentes para conseguir destaque num mercado cada vez mais competitivo. “O primeiro ponto é a variedade de financiamentos que existem. A quantidade de informação dificulta a escolha pelo ideal para cada tipo de empresa. Em seguida, é necessário ter uma boa rede de contatos e uma equipe qualificada, participar de feiras e eventos para ampliar o networking”, explicou.

Para as startups em estágio inicial, existem os investidores-anjo, que investem recursos próprios; as aceleradoras, que oferecem estrutura e equipe em troca de ações; e o venture capital (capital de risco). “Num segundo momento, a empresa que se encontra num estágio um pouco mais avançado pode recorrer aos investimentos feitos pela Finep e pelo Fundo Criatec, do BNDES. Num momento de maturidade, a empresa pode recorrer também ao BNDES e ao Private Equity, tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores, com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento”, explicou, alertando sobre o fato de recorrer a instituições financeiras como fonte de investimento: “muitas vezes o banco cobra taxas bem mais altas, pois é uma instituição financeira e com certeza está interessada em vender os seus produtos. Por isso, confira todas as informações nos sites de cada instituição e tenha o apoio de quem entende do assunto”, pontuou.

A Softex tem um programa chamado Prosoft-Empresas, que faz um financiamento para investimentos e planos de negócios de empresas com sede administrativa no Brasil que mantenham atividades relacionadas à cadeia produtiva de software no país, ao custo da variação da TJLP mais 1%, ou de 1,5% a 2% anuais.

Sua gama de empresas passíveis de financiamento foi ampliada: o aporte vai do mínimo de R$ 1 milhão até R$ 10 milhões, com a exigência de que a empresa se torne uma Sociedade Anônima. Aportes de valor superior exigem garantias reais de 130%, o que exime a empresa de tornar-se uma S/A.

Gerente de empreendedorismo da Softex, Vitor Andrade também participou da palestra e falou sobre a importância de todas as empresas pensarem como startup. “É necessário mudar a forma de pensamento. No programa Startup Brasil, trabalhamos as conexões internacionais para agir globalmente”, disse.

Dentre as áreas de maior destaque estão as de educação, varejo, transporte e logística, saúde e eventos e turismo. “O empreendedor deve olhar para o mesmo problema de formas diferentes”, completou.

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Vitor Andrade

Para finalizar o debate, Guilherme Amorim, gerente internacional da Softex, falou sobre como internacionalizar uma empresa. Através do Projeto Setorial, fruto da parceria da Softex com a Apex-Brasil, as empresas têm à sua disposição uma estrutura capaz de alavancá-las no exterior.

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Guilherme Amorim

Para se ter uma ideia, em 2012, as empresas aderidas ao projeto exportaram mais de US$550 milhões. “Primeiro analisamos a capacidade da empresa e a sua atitude diante do mercado. Nossa intenção é analisar as demandas de nível global e encaixar as empresas. Para tanto, conseguimos aumentar a tração comercial, dar um direcionamento de marketing e inclusive disponibilizar um escritório virtual com um telefone com o código postal do local escolhido”, revelou Guilherme.

O executivo ainda deu as principais dicas para os aspirantes a empreender fora. “É preciso conviver com outros empreendedores internacionais, falar a linguagem mercadológica deles. Ir a eventos, reuniões de relacionamento, saber dados tributários do local. Tudo isso com um suporte”, disse ele, complementando ainda que existem muitas possibilidades fora do país. “E vale destacar que o tamanho da empresa para se estabelecer no exterior não é impeditivo”, acrescentou.

Todos os palestrantes reforçaram a ideia de que a experiência do usuário desperta uma nova forma de fazer negócio. “O foco deve ser no problema, a tecnologia é o meio e também o serviço. O produto não é mais o produto, mas sim o modelo de negócios”, disse Vitor Andrade.

Para Virgínia Andrade, a interoperabilidade é a palavra primordial e que ditará as regras para deslanchar o modelo de negócios do futuro. “Vai haver uma troca entre as empresas e uma colaboração natural. As pessoas se tornarão cada vez mais multidisciplinares, bem como todas as equipes envolvidas”, concluiu.

Sobre a Softex

A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) executa, desde 1996, iniciativas de apoio, desenvolvimento, promoção e fomento para impulsionar a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI, uma das maiores em todo o mundo, conhecida por sua criatividade, competência e fonte de talentos.

Com projetos nas áreas de qualidade, investimentos, internacionalização, inteligência e inovação a Softex, como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), contribui de forma significativa para ampliar a competitividade das empresas do setor e possui um papel estratégico no sucesso nacional e internacional dessas companhias.

Designada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para atuar como gestora do Programa para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Programa SOFTEX, a entidade beneficia mais de 2 mil empresas em todo o território nacional através de uma rede formada por 20 Agentes regionais. Esse Sistema Softex garante um eficiente auxílio nas áreas operacional, de financiamento e de capacitação das empresas associadas por meio de uma ampla e sólida articulação de parceiros da iniciativa privada, governo e academia

Veja como foi o segundo dia do evento!