Especial

Muito além do .br

Saiba como funciona o projeto de domínios de topo da ICCAN, que oferece variados nomes para empresas e entidades

comente:

Com a internet se tornando uma das maiores forças globais, é natural que os domínios também precisem passar por uma evolução. Durante o último Rio Info, em setembro de 2015, foi assinado um contrato de concessão aos domínios para que marcas pudessem substituir o .com.br ou o org.br pelo próprio nome. Natura, Vivo, Bradesco, Itaú, Rede Globo, Ipiranga e Uol foram as primeiras empresas privadas brasileiras que, a partir de agora, assinam como “.natura”, “.vivo”, etc.

ilustraçao-principal

Daniel Fink, gerente de relacionamento da ICANN no Brasil

O evento contou com a presença de Akram Atallah, presidente da Divisão de Domínios Globais da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), entidade internacional responsável pela coordenação da identificação dos indicadores públicos da internet, o sistema de domínios e os números de IPs.

Segundo Daniel Fink, gerente de relacionamento da ICANN no Brasil, o programa de expansão de novos domínios de topo – aqueles que ficam localizados mais à direita do endereço eletrônico – tem sido realizado em todo o mundo. “A internet cresceu muito e, antes, havia para escolha apenas 22 nomes, da família dos .com e .net. Como a maior parte dos sites internacionais têm no final o .com e já não existem mais nomes legais, veio a ideia dessa expansão. Além das marcas, outros domínios também estão sendo criados como, por exemplo, “.pizza”, “.expert”, entre outros. Desde que iniciamos o programa, mais de 600 já foram aprovados”, afirma.

A ICANN lançou o programa em junho de 2011. Entre 2012 e 2013, 1930 empresas solicitaram um domínio no novo formato. “Esta foi a primeira grande expansão dos nomes de domínio de topo. A decisão que a ICANN cumpre neste momento é garantir que este conjunto de novos nomes funcione perfeitamente na internet. Está tudo indo bem e já existem planos de lançamento de uma nova chamada, para que outras empresas ou instituições solicitem seus registros nos próximos anos”, adianta o executivo.

Ainda de acordo com Daniel Fink, são duas as famílias de nomes de domínio: a de Genéricos (gTLD) e a de País (ccTLD – de country code). “O programa de novos nomes de domínio só complementa a família dos genéricos. O nosso .br possui uma reputação incrível (as pessoas confiam), preços muito acessíveis e segue sendo uma escolha de ótimo valor para os brasileiros. O programa de novos gTLD´s apenas traz novas opções para as pessoas que podem muito bem possuir dois ou mais nomes de acordo com sua preferência”, completa.

Portanto, a aprovação da concessão, que dá o direito ao uso irrestrito do domínio, pede uma série de exigências. As empresas precisam comprovar que são as donas das marcas, evitando a ocorrência de fraude. “Algumas marcas solicitam o domínio por uma questão de segurança, além da exclusividade em ter o nome da marca no próprio domínio. O processo é longo e dura cerca de três anos. Para abrir um processo, a empresa deve pagar US$ 185 mil e, se aprovado, investirá entre US$ 500 mil a US$ 1 milhão pelo mesmo”, conta Daniel Fink.

ilustraçao-principal

A ICANN lançou o programa em junho de 2011.

O desafio, agora, é divulgar esse novo formato para o usuário. “Queremos que a empresa se pergunte: será que estou bem identificado na internet? Será que tenho aparecido na rede de forma correta e usando todo o meu potencial? Isso é o mais importante. E cada marca pode, por preços bem vantajosos, adotar o .expert, o .online ou o .xyz, que tem sido muito usados e podem sair por apenas R$ 10,00”, acrescenta Daniel Fink.

Outra meta da entidade é fazer com que as empresas se familiarizem o mais rápido com o novo cenário que se apresenta. “A maior parte da responsabilidade dessa divulgação ficará a cargo das próprias empresas que, ao comprar a ideia, terão acesso a todas as possibilidades possíveis que vêm com ela. O objetivo principal é fazer a marca se consolidar. Sabe quando a empresa tem um ponto, uma marca, um novo loteamento? O domínio de topo é como se fosse uma cidade que começa a ser construída do zero”, compara.

Ao adquirir o topo de domínio, a empresa obtém, ainda, ganhos na área de segurança da informação. “É muito mais difícil que ataques aconteçam com os novos domínios de topo, pois o seu computador vai autenticar o seu próprio roteador”, avisa Daniel Fink.

Internet global abre caminhos para empresas buscarem novos rumos

Diante da internet cada vez mais globalizada, Daniel Fink acredita que os primeiros setores que migrarão são os voltados para o consumidor em geral, além dos governamentais. “A área voltada para B2B vai esperar mais um pouco para encontrar um modelo de negócio que se encaixe com o domínio próprio. Gosto de citar o caso da IBM, uma das primeiras a migrarem para o domínio de topo”, diz o executivo, alertando ser importante registrar a marca primeiro no INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial. “A empresa deve ser a única dona da marca. Houve um caso clássico da Amazon, gigante da internet, que teve problemas com o registro, pois já haviam feito o mesmo para a Bacia Amazônica. O “.berlim”, por exemplo, precisou definir a situação com as outras cinco Berlins existentes no mundo”, avisa.

Outros nomes que começam a ser disputados são o .medicin e o .health. “Portanto, são nomes que as pessoas precisam confiar, logo existe um olhar mais apurado ainda em relação a empresas e/ou entidades que desejem registrá-los”, explica Daniel Fink. Já os mais populares são: .webcare, .online, .dog, .bar, .xyz, .club, .berlim, .link e .science.

No Brasil, a Hostnet é a única que representa as vendas do domínio. Mas o objetivo é ampliar a sua atuação. “No mundo, temos mais de mil revendedores. Por aqui, a ICCAN pretende se colocar à disposição de todos os empresários para auxiliar na venda de nomes de domínio de mercado. Provedores de internet, agências de design/ marketing, provedores de internet. Tudo isso nos interessa”.

Domínio .rio é o primeiro da América Latina a usar no uso de domímio da propria cidade

O Rio de Janeiro se tornou pioneiro da América Latina no uso de domínio com o nome da própria cidade. No ano passado, foi lançada a campanha Meu Domínio.Rio para que empresas e pessoas físicas da cidade pudessem solicitá-lo. Desta maneira, o Rio entrou no mesmo patamar digital de Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Barcelona, Roma e Berlim, por exemplo.

O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade nacional gestora do domínio web “.br”, também adquiriu novos domínios com nomes em português, o “.final” e o “.bom”. Assim, a NIC.br expande a oferta de domínios, além do “.br”, caracterizado como Country Code Top Level Domain (ccTLD), o qual detêm o registro desde 2005.

Segundo Daniel Fink, nos próximos meses deve ocorrer a transição da custódia dos EUA para a comunidade internacional, na administração das funções da Iana, órgão técnico da ICANN que viabiliza que os domínios sejam criados. “Essa é a última etapa para as mudanças acontecerem na raiz da internet nos Estados Unidos. O país nunca abusou do poder com a guarda da internet global, mas sempre trazia um certo desconforto para os outros países ter todo esse poder em um único país. Antes, toda a mudança feita no servidor da internet global precisava ser provada pelo governo dos EUA”, pontuou.

A mudança pretende garantir uma das principais características da internet: ultrapassar fronteiras e operar em todos os países de forma unificada. “O importante da Internet é que ela seja única. Sua globalização é um bem que a humanidade conquistou e isso traz benefícios para todos, em especial para os empresários. A possibilidade de alguém criar uma inovação aqui no Rio de Janeiro e se tornar um serviço global é uma coisa fantástica”, comemora.

A ICANN também exerce um papel importante para o funcionamento da internet em relação a diretrizes, organização das políticas e decisões para o mercado, que são tomadas com base na contribuição de diferentes grupos representativos da sociedade em todo o mundo, como os governos, a iniciativa privada os próprios usuários.

Para o executivo, o Brasil segue o exemplo com uma coordenação multissetorial da internet que dá voz a todos os setores por meio das ações do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade nacional gestora do domínio web “.br” e pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br). “Muitos países ainda realizam a coordenação de suas redes nacionais apenas com base nas decisões do governo”, finaliza