Entrevista

A força da Softex em Recife e os rumos da entidade

José Claudio Oliveira fala sobre o que a organização pretende e como a poderá fortalecer ainda mais o setor de tecnologia no país

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José Claudio Oliveira,
presidente da Softex de Recife


Com o setor de TI em desenvolvimento e sendo amplamente discutido no setor político nacional, José Claudio Oliveira, presidente da Softex de Recife, reforçou, em entrevista exclusiva para a TI Maior, que o momento é de empreender e formar jovens programadores. O empresário, que também é sócio da Procenge, falou sobre os rumos da Softex e como a entidade poderá fortalecer ainda mais o setor no país. “O programa de formação de jovens programadores é de importância estratégica para as empresas de TI, uma vez que o capital humano é, disparadamente, o mais importante acervo dessas empresas, indispensável a sua manutenção e progresso. Quanto mais jovens envolvidos e preparados nesse campo, mais desenvolvimento se pode prever para essa área econômica, que é a que mais cresce no mundo de hoje e na qual o Brasil ainda tem muito o que avançar”, diz.

Leia a entrevista completa:

Segundo balanço divulgado de 2014 pela Softex, o ano passado foi considerado um divisor de águas no trabalho que a associação desenvolveu para o setor de TI no Brasil, de acordo com o seu presidente, Ruben Delgado. Como você analisa essa afirmação e o que tem a falar sobre ela?

Já há alguns anos, a Sociedade Softex vem se reestruturando e, no ano de 2014, um ciclo foi fechado, dando fim a esse trabalho. A Softex assumiu diversos projetos importantes, dentre os quais destacam-se o Projeto Brasil +TI e o Start Up Brasil. Diante disso, podemos entender por que o nosso presidente, Ruben Delgado, com seu tradicional entusiasmo pelo trabalho que desempenha à frente da Softex, faz tal destaque a este momento vivido pela entidade.

No mesmo ano, a Softex recebeu do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI a missão de gerenciar operacionalmente esses dois programas, citados pelo senhor e da maior importância para a TI brasileira: o Brasil Mais TI, de estímulo à formação de jovens programadores, e o Start-Up Brasil, com foco na aceleração de empresas de base tecnológica. Por que esses programas podem mudar, praticamente, o cenário do TI no Brasil? O que o governo pode fazer para contribuir mais rapidamente com esse desenvolvimento, sem esquecer das empresas?

O programa de formação de jovens programadores é de importância estratégica para as empresas de TI, uma vez que o capital humano é, disparadamente, o mais importante acervo dessas empresas, indispensável a sua manutenção e progresso. Quanto mais jovens envolvidos e preparados nesse campo, mais desenvolvimento se pode prever para essa área econômica, que é a que mais cresce no mundo de hoje e na qual o Brasil ainda tem muito o que avançar. Por outro lado, a aceleração das empresas nascentes nesse setor é fundamental para o sucesso do empreendedorismo na nossa área, a qual tem sido pródiga em empreendimentos inovadores e de alto impacto na sociedade como um todo.

Como a Softex atua regionalmente? Os projetos que são oferecidos nacionalmente conseguem ter a mesma abrangência em sua região, por exemplo?

A Softex Recife tem atuado regionalmente, dando sequência a alguns projetos da Sociedade Softex, tais como o TI de Impacto, em que formamos um grupo de empresas da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará para fomento à inovação; a certificação em MPS.Br na área de qualidade de software e na área de internacionalização, na qual organizamos missões empresariais ao Vale do Silício, incluindo empresas de vários estados do Brasil. Este ano, já iniciamos as inscrições para uma missão ao estado de Ontário, Canadá, que será realizada no final do mês de agosto e já temos uma nova missão na Califórnia, programada para o mês de dezembro.

Ainda neste tema da internacionalização para que as empresas pensem de maneira global e utilizem a tecnologia da inovação, o que as empresas brasileiras podem aprender com as de fora?

O campo de aprendizado das nossas empresas com as estrangeiras é enorme. O avanço verificado em alguns polos nos países mais desenvolvidos do mundo acumula uma experiência de ações que podem muito bem ser reproduzidas no Brasil, agregando as nossas peculiaridades e tipo de conhecimento, mas queimando etapas, seja no modelo de emprego das tecnologias, seja no modelo de financiamento dessas empresas.

Mudando um pouco de assunto, vamos falar sobre um tema que tem sido amplamente discutido no cenário do TI brasileiro. A Terceirização, por exemplo, tem levantado polêmica. O que acha desse tema e qual o seu posicionamento?

Quanto ao tema da Terceirização, ele é crucial para o nosso setor, uma atividade industrial altamente componentizada, na qual nenhuma empresa detém por completo todas as nuances da tecnologia. Dessa forma, é fundamental poder contratar na mesma atividade-fim. Por outro lado, muito pior é a situação atual, na qual não existe regulamentação e ninguém sabe os limites até onde se pode atuar, ficando isso a cargo das diferentes interpretações de juízes comuns ou da justiça do trabalho, que não têm nenhum marco de referência para decidir nos litígios. Acho que o projeto atual não é bom porque já desce a minúcias desnecessárias, tenta fazer das empresas envolvidas agentes de arrecadação governamental, mas já é melhor do que nada como é feito hoje.