Seção Incubadoras

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O Cietec, Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, é uma associação civil sem fins lucrativos de direito privado estabelecida com a missão de promover o Empreendedorismo Inovador, incentivando a transformação do conhecimento em produtos e serviços de valor agregado para o mercado. O Cietec é a entidade gestora da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo USP/Ipen –, instalada no campus Ipen, na Cidade Universitária, em São Paulo, cuja governança é conduzida por um Conselho de Direção Estratégica constituído por membros indicados pela USP, Ipen, FIESP e Anpei.

Em entrevista à TI Maior, o diretor executivo da Cietec, Sérgio Wigberto Risola, revelou sobre o que tem sido feito nos 16 anos de existência da incubadora, bem como as metodologias e expertise na seleção e acompanhamento de empresas nascentes de base tecnológica, o que pode ser traduzido na sistematização de processos na incubação, na criação e gestão de habitats de inovação e na promoção das atividades e suporte à gestão tecnológica, de marketing e administrativa de startups. Leia a entrevista:

TI MAIOR – Fale sobre a incubadora e suas principais áreas de atuação. Qual a data de criação e trajetória?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - Atuamos em todas as áreas, mas a Tecnologia da informação é transversal a qualquer projeto. Funcionamos em 9.000 metros de área, onde funcionam de 110 a 115 startups. Podemos citar algumas, como: química, nanotecnologia, saúde, tecnologia da informação, educação. Algumas áreas de atuação, como educação e saúde, por exemplo, ocupam um espaço maior, pois reúnem muitos negócios nestes setores reunindo mais pessoas com o mesmo interesse. No caso da educação, professores, alunos, empresários, investidores, startups com o interesse em mudar a educação no Brasil. A sala de aula está defasada, este modelo de hoje é atrasado. A startup reúne profissionais de vanguarda com ideias para avançar em todas as questões ligadas à educação. E se reúnem em nome do conhecimento para fomentar as mudanças.

A Cietec foi criada em 1998 e, durante esse período, 155 empresas nasceram e foram graduadas e, depois de quatro anos foram diplomadas por nós, e hoje atuam no mercado. A partir de 2014, fechamos uma parceria com a USP e com o IPEN, e hoje funcionamos dentro do prédio do Ipen. Oferecemos todas as condições para que esta empresa alce vôo e voemos juntos pois, ao deixar a incubadora, esperamos que as empresas graduadas continuem com um elo, participando do que tem de novo acontecendo!Principalmente em se tratando do “corredor do conhecimento”, parceria que mantemos com a USP (Universidade de São Paulo) e com o IPEN (Instituto de Pesquisa Nuclear), além de empresas do mundo todo. Com a tecnologia, não temos barreiras nem limites.

Através do corredor do conhecimento, temos todas as condições de trazer para a startup o que há de melhor em cada área: se a empresa atua na área aeroespacial, buscamos o Ita (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), se for da área do agronegócio, trazemos o Embrapa, o Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, uma unidade da USP), ou seja, buscamos os melhores parceiros onde a startup precisar.

Sérgio Wigberto Risola, diretor executivo da Cietec

TI MAIOR – Quais os principais projetos da incubadora? Cite, por favor.

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - Com foco em tecnologia posso citar o DEV, que recentemente fechou contratos importantes com grandes conglomerados como a BRF Foods e com a Ambev. Eles desenvolveram uma conexão entre todos os refrigeradores (equipamentos) da empresa que permite transmitir para uma central informações sobre o funcionamento de cada um deles. Permitindo o controle sobre o funcionamento de cada um deles em todo o país.

Outro exemplo, é a 3D criar, empresa de prototipagem que produz equipamentos para vários fins, desde próteses a qualquer objeto na área da educação, saúde, brindes, qualquer coisa. Até uma casa pode ser feita como um jogo Lego. A vantagem da máquina em 3D é o ganho de tempo com um custo muito menor. Acreditamos que, no futuro, todos terão uma máquina dessas em casa.

Outro exemplo é a PULL UP, que atua na área de microeletrônica e integra conhecimento e tecnologia às startups de prototipagem em 3D. Muitos destes circuitos são desenvolvidos nanometricamente, possibilitando o desenvolvimento de produtos inovadores. E vamos inaugurar em fevereiro o “FAB LAB”, espaço para produção de protótipos. Vai ser como uma oficina que reúne várias startups na área de de impressoras 3D. Das que desenvolvem os protótipos até as que criam os circuitos eletrônicos que fornecerão a tecnologia necessária à criação de equipamentos modernos. Assim, formamos um pool de empresas onde uma integra conhecimento às outras.

TI MAIOR – Quais os principais meios de investimento dos projetos e da incubadora?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA- O Cietec abriga 115 startups e é a maior concentração de startups de um lugar só no Brasil. O recurso vem das áreas pública e privada. A FAPESP é o maior provedor de recursos para as startups de tecnologia. É um grande suporte que a CIETEC possui e, de cada 10 startups, três conseguem recursos Fapesp. O BNDES, por exemplo, nunca olhou para micro e pequenas empresas, mas agora tem linhas feitas especialmente para startups. Possuem, no mínimo, 13 startups usando recursos da Lei de Informática. Sendo que estão sempre em busca de recursos privados e investidores-anjo. Correm atrás do dinheiro o tempo todo, pois sem investimentos, a startup não ganha escala de mercado nacional, não consegue aplicar o ganho e o recurso que conquistam para crescer sozinha. Ou seja, todas as fontes do estado de SP são muito bem vindas e avaliadas.

TI Maior – Quais as principais áreas estratégicas da incubadora?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA – A incubadora não tem área estratégica. O Cietec nasceu com capilaridade total para todas as áreas do conhecimento. O leque se abriu e atuamos de forma forte na área de saúde, medicina, equipamentos, saúde, química, TI, biotecnologia e novas energias.

TI MAIOR – Como é feita a seleção de projetos/ empresas?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA – O Cietec recebe um fluxo diário de três candidatos. Estão num metro quadrado bastante privilegiado na cidade universitária de SP. O processo seletivo foi simplificado de 2016 para cá. Antes era exigido um business plan, sendo que hoje a exigência é de que o projeto traga alguma inovação, seja num produto, num processo ou num serviço. Caso os projetos precisem ter ideias lapidadas, eles podem ficar na incubadora por dois, três meses em um espaço de coworking. Assim, eles conseguem amadurecer as ideias e criar um minibusiness plan para que a ideia seja selecionada. Não apoiamos uma pesquisa pura, quem vai até a eles precisa fazer negócios e estipulam um prazo de 6 a 12 meses para que a startup já coloque os pés no mercado.

TI MAIOR – Quais os principais projetos que foram desenvolvidos e renderam frutos?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - Um case que pode ser citado é o da Abestec. Tudo que foi feito de cola e material selante ou produto elastomérico do Museu do Amanhã foi desenvolvido por eles, uma empresa que veio do Cietec. Outro exemplo foi a P3D, que acabou de ir para Xangai. Fundada em 2003 dentro da incubadora, a P3D nasceu para oferecer recursos inovadores em educação. Utilizando a realidade virtual e a tecnologia 3D, produz softwares revolucionários para escolas de Ensino Fundamental e Médio nas áreas de Ciências, Geografia, Biologia e Química.
São referência mundial no mercado educacional, exportando para mais de 20 países com o software traduzido em 13 línguas. No Brasil, já faz parte do dia a dia de mais de 800 instituições, entre escolas públicas e privadas.
Durante este período, os software P3D receberam vários prêmios nacionais e internacionais em educação e tecnologia. Sendo três na Suíça, dois na Espanha e, no Brasil, o Finep de Inovação.

” Os software P3D receberam vários prêmios nacionais e internacionais em educação e tecnologia”

São Paulo precisa de um parque tecnológico para empresas que estão prontas para crescer no mercado, inovando o tempo todo dentro de universidades e institutos de pesquisas. O Cietec criou uma área de empresas que se graduaram em nanotecnologia, biotecnologia, entre outros.

Outro exemplo é a A DEV Tecnologia, uma parceira de tecnologia que oferece soluções completas para desenvolvimento de novos produtos tecnológicos e para Internet das Coisas (Internet of Things).

TI MAIOR – Quais os projetos/empresas novos?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - Acabaram de fechar com a EDP – Energias de Portugal. A EDP é uma utility verticalmente integrada, é o maior produtor, distribuidor e comercializador de electricidade em Portugal e mantém operações significativas de electricidade e de gás na Espanha. A EDP é a terceira maior empresa de produção de electricidade e um dos maiores distribuidores de gás da Península Ibérica.

TI MAIOR – Quais as maiores dificuldades enfrentadas?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - A falta de recursos. Entre as maiores dificuldades durante o crescimento de uma startup, é com certeza uma equipe unida. Uma startup vive de duas, quatro ou seis pessoas que vão dar aquele impulso em até dois anos de vida, pois quando entra o capital, ela parte para escalabilidade. É preciso conhecer o segmento que se quer atacar, o rumo pois assim, o recurso financeiro vai aparecer.

A dificuldade maior é de gente, de pessoas aliadas e alinhadas com a cabeça do fundador da startup. É preciso também encontrar mentores corretos.
Os empreendedores precisam de mentoria para formar equipes e precisam ser headhunters, além de achar a pessoa certa para crescer com ele. Outro risco é a supervalorização do negócio.

TI MAIOR – Como o governo poderia se tornar mais participativo e beneficiar a Incubadora?

SÉRGIO WIGBERTO RISOLA - No dia 16 de dezembro, o Ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações Gilberto Kassab ficou dentro do Cietec por três horas. O novo presidente da FINEP recebeu a PROTEC e abriu conversa para entender os próximos projetos. Nos últimos meses, mesmo com os cortes de gastos por conta crise, a Cietec conseguiu reverter a situação e evitar um corte de 1 bilhão e 600 milhões de reais que envolveriam cortes de bolsas no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o que traria transtornos como os da Lei da Informática. 27 milhões foram finalmente entregues em repasses que estavam pendentes para investimentos de parques tecnológicos. O prefeito de São Paulo João Doria criou a Secretaria de Empreendedorismo e todos os envolvidos otimistas com a ação pública de SP