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Setor de TI se reúne na 12a edição do Jantar Anual das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro

Entidades debateram o ano que passou e esperam que governo volte as atenções para o mercado

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A 12ª edição do Jantar Anual das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro reuniu parceiros, empresas associadas à TI Rio e autoridades para confraternizar o ano de 2016, no dia 5 de dezembro, no Clube Ginástico Português, no Centro do Rio de Janeiro. Na ocasião, um estudo sobre o mercado de TI do Rio foi apresentado e um alerta foi dado aos governos municipais, que precisam voltar as atenções para o mercado. Os representantes conversaram com exclusividade sobre a situação do setor em 2016 e as expectativas para este ano.

CONFIRA NOSSAS ENTREVISTAS PARA ESTA EDIÇÃO DA TI MAIOR:

Benito Paret – Presidente do TI Rio

“O Jantar Anual dos Empresários de Informática é um evento aberto para toda a comunidade onde temos a oportunidade de encontrar representantes de diversas entidades, além de parceiros como a Associação Comercial do Rio de Janeiro, o Sindicato das Empresas de Contabilidade e uma série de amigos que estão conosco nesta empreitada de fortalecer o segmento de TI no Rio de Janeiro. Há vários anos o jantar é realizado na primeira segunda-feira do mês de dezembro e marca todo um trabalho que foi desenvolvido durante este período.”

Benito Paret, Presidente do TI Rio

“Nesta edição, apresentamos um resumo de nossas atividades como uma forma de prestação de contas para todos os parceiros que representamos e, de alguma forma, sustentam o sindicato. O evento tem o papel de prestar contas, atender e promover uma confraternização entre os empresários, autoridades e entidades que nos apoiam. É um momento importante porque podemos explicar o que fizemos. Nosso objetivo é anunciar que no ano que vem vamos completar 30 anos e, por isso, faremos grandes eventos para a TI no nosso estado e no país.”

John Forman – Vice-presidente do TI Rio

“A TI é conhecida como um setor que está sempre em crescimento. E no Rio de Janeiro não foi diferente durante 2016, mesmo com a crise. O setor conseguiu crescer um pouco, mas as taxas são muitos menores do que as alcançadas fora do estado. Neste ano, o Rio foi um dos lugares que mais teve fechamento de postos de trabalho, segundo a CAGED, fonte do Ministério do Trabalho que contabiliza o número de contratações e demissões.”

John Forman, Vice-presidente do TI Rio

“O setor de TI sofreu muito por conta de fechamentos de vagas. Estamos em uma situação geral de cintos apertados dentro deste cenário de crise que vivemos. Portanto, o cenário continua cheio de perspectivas e novidades que estão chegando, mas a crise bateu forte. Se você não tem clientes para contratar, essas novidades e melhorias que chegam fazem com que tudo continue parado. Queremos ver se em 2017 conseguimos retomar o crescimento”.

Marcio Girão – Diretor de Inovação da FINEP

“É difícil dizer o que precisa melhorar no mercado de TI. O mercado está se alterando com rapidez no sentido que a TI é o suporte de uma nova Revolução Tecnológica que se avizinha. O Brasil tem o desafio enorme de usar a TI em projetos inovadores que envolvam, por exemplo, Internet das Coisas, Big Data, Nuvem, Software Associado à Engenharia passando por setores como Sistema Aeroespacial, Estratégicos de Defesa, Agronegócios, Manufatura Avançada, entre outros. Uma nova onda de aplicações da TI está surgindo e o Brasil tem que surfá-la. Temos desafios enormes dada a crise que enfrentamos, mas temos a capacidade de superá-los.”

Marcio Girão, Diretor de Inovação da FINEP

“Um é garantir o fluxo de investimentos na inovação, onde a TI é uma ferramenta essencial; outro é fazer com que a inovação chegue na empresa integrando-a ainda mais com a academia e seus institutos de C&T, pois somente assim ela faz sentido. Estes são alguns desafios de 2017, 2018, 2019 …”.

Luiz Carlos Sá de Carvalho – Diretor do TI Rio

“De acordo com a pesquisa que realizamos sobre o mercado de trabalho em TI, este ano concluímos que foi muito complicado e desafiador. Os dados de rotatividade, contratações e desligamentos são terríveis, as empresas reduzindo os seus funcionários. Não podemos indicar as perspectivas para 2017, pois falar agora não teria o mínimo de racionalidade. Mas é importante pensar em algumas possibilidades de ações, políticas e iniciativas das próprias empresas para reverter esta situação. Tentar economizar demitindo um profissional qualificado e admitir outros com salário menor é jogar fora capital. Trazer um profissional novo, por melhor que ele seja porque outro saiu, é um investimento muito alto. A primeira medida que deve ser tomada é reduzir impostos.”

Luiz Carlos Sá de Carvalho, Diretor do TI Rio

“Precisamos criar condições, ter consciência e fazer trabalhos conjuntos, inclusive junto ao governo – apesar de saber que ele também está apertado -, para estabelecer medidas. Para o crescimento, aparentemente os custos não são reduzidos, mas trazem benefícios adiante. Um real gasto para ter um profissional mais adaptado, para produzir melhor, compensa mais adiante. Estamos tentando descobrir formas de fazer isso mesmo sabendo que as empresas estão com dificuldades, não há como negar”.

Celso Pansera – Deputado Federal

“Fundamentalmente, o que precisamos para 2017 é que os investimentos públicos retomem o volume de antes da crise econômica para que não haja descontinuidade no setor. A outra urgência é identificar o impacto da decisão da Organização Mundial do Comércio sobre a Lei de Informática. Este é um impacto imediato. Temos a obrigação de recompor e organizar a nossa Lei de Informática no tempo mais curto possível. Sabemos que o governo já está pensando em uma medida provisória para adaptar essa questão. Assim que o parecer for publicado pela OMC, o governo deverá publicar também em tempo curto.”

Celso Pansera, Deputado Federal

“O grande desafio é aprovar em tempo recorde esta nova lei para que não tenhamos um problema maior ainda. O grande desafio será estabelecer uma Lei da Informática que entenda a demanda da OMC para que o Brasil não perca aquilo que já foi exportado. O Brasil exportou em 2015 cerca de 5 bilhões de reais em software de serviço, ou seja, precisamos do mercado internacional. Estamos entrando bem e, se a gente não responder rapidamente com uma Lei, podemos perder este mercado”.

Ruben Delgado – Presidente da Softex

“O ano de 2016 evidentemente foi um ano de crise, mas acredito que em períodos assim é que a gente vê quem é realmente empreendedor. É esse momento vale também para 2017: temos que repensar processos, procedimentos, custo fixo, receita. E tudo isso está na pauta de todo empresário e significa diretamente Tecnologia da Informação. É uma oportunidade para as empresas se posicionarem para ajudar as outras indústrias a alcançarem seus objetivos e, assim, melhorar a competitividade. O empresário de TI é igual a qualquer empresário, sempre tem aquele que fica mais na zona de conforto e também precisa repensar seu negócio. Acho que 2017 é a hora para se reinventar.”

Ruben Delgado, Presidente da Softex

“Quem aproveitar essas mudanças tecnológicas, vai se dar muito bem. Quem continuar trabalhando TI como se trabalhava há 10 anos, fatalmente vai morrer. As oportunidades estão aí, basta ver os relatórios da Softex, o que a Gartner prevê para os próximos anos para ver para onde o mundo anda. Não é preciso fazer mestrados ou doutorados para entender. Basta ler, adequar sua oferta para tecnologias mais modernas e explorar esta oportunidade que a crise nos oferece”.

Franklin Coelho – Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia

“O mercado de TI vem mudando ao longo dos anos. O próprio setor de TI precisa olhar para as demandas que existem. Um exemplo claro é o Parque Tecnológico que foi construído numa área de TI voltada para Óleo e Gás. A Prefeitura começou a trabalhar para que o setor não olhasse só para esta área. Nada contra, mas tenho uma cidade ágil que precisa de informação em tempo real e de uma estrutura tecnológica de armazenamento para trabalhar cenários, pensar em um caminho de cidade mais ágil em função dessa série histórica. Pelo lado da Prefeitura, fizemos uma política pública voltada para áreas mais sociais, trabalhamos com o projeto Startup Social nas Naves de Conhecimento, por exemplo. Não tem na zona sul, existe em Padre Miguel, Bangu, Santa Cruz, Madureira, Irajá, Penha, Triagem, Alemão, etc. Trabalhamos com um público que não tem oportunidade e levamos esta oportunidade para ele. O que a Prefeitura olhou o mercado não olhou tanto, só em alguns casos. Algumas empresas participaram de um projeto em parceria conosco, a Forsoft, que trabalhou a empregabilidade para a geração de 16 a 24 anos em função do que o próprio mercado estava demandando. Ao mesmo tempo que dialogamos política pública com o mercado, ele tem que dialogar também com a cidade.”

Franklin Coelho, Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia

“A Cidade Ágil é uma delas, um projeto de big data urbano único que poucas cidades do mundo já possuem e estão em um patamar um pouco mais avançado como Chicago, Nova York e Barcelona. Mas aqui a gente tem uma massa crítica já construída que poderia ser trabalhada de forma mais ampla. Temos a questão da cidade resiliente e sustentável: é preciso conhecer o que existe no subsolo urbano através de sensores que meçam temperatura, bem como a quantidade de gás, por exemplo. Tudo isso envolve um sistema inteligente. O controle do subsolo urbano também é uma outra oportunidade que o mercado tem olhado. Na verdade, é preciso pensar numa nova pedagogia em função do que a internet está oferecendo. Você tem uma formação de tecnólogos que talvez nem precisem passar pela universidade. O menino que faz um curso de fotografia, depois de vídeo e efeitos visuais, constrói habilidades que o mercado vai absorver. No projeto, houve monitoramento de redes sociais nas Olimpíadas de 2016 e não tivemos problemas. Ou seja, oportunidade tem, mercado tem, ele se renova, e é preciso acompanhar a velocidade de transformação dele. O próprio crescimento da página web a gente sabe que é uma mudança, a questão da interatividade, os webdocumentários. São portas que se abrem como oportunidade de mercado. Logo, tem que haver um diálogo da sociedade com o poder público e um caminho em uma governança de gestão de informação que possa envolver um conjunto do setor, não só a parte sindical, mas outras atividades que possam trabalhar com a demanda na transformação do mundo. Por exemplo, em relação ao big data urbano de Nova York, trabalharam num sistema de informação que permite pensar a cidade em três dimensões. E como monetizar isso? As empresas de arquitetura e construção civil usam isso nos seus serviços”.

“Este foi um ano crítico em termos econômicos, mas o setor de TI ganha uma dinâmica de mercado impactado pela crise, mas não tanto como o setor de Óleo e Gás. Este é um cenário político que é fundamental que a sociedade se manifeste para garantir um legado, como foi o legado olímpico”.

Alberto Blois – Diretor executivo da Riosoft e secretário geral do TI Rio

Alberto Blois, Diretor executivo da Riosoft e secretário geral do TI Rio

“O ano que passou foi um ano difícil para a economia brasileira. E com o setor de TI não seria diferente. Mas foi um ano de desafios, as empresas se reinventaram e temos plena noção de que, passado este turbilhão de coisas, as empresas vão estar mais fortes e preparadas para crescer. Sabemos que o mercado cresce, mesmo não sendo no ritmo que a gente gostaria. Temos uma expectativa positiva para 2017”