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Mais um ano que inicia. O que esperar de 2017?

Edgar Serrano, presidente da Fenainfo, espera mudança de cenário e de pensamento para o empreendedor brasileiro

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Por Edgar Serrano,
Presidente da Fenainfo


Com a chegada de um ano novo geralmente as pessoas renovam suas promessas, seus planos e suas expectativas. É assim no mundo todo e no Brasil não é diferente. Uma chama de otimismo invade as pessoas, renovando as energias necessárias para uma etapa que se inicia. Temos os otimistas, os pessimistas e os realistas. Muitos apresentam a receita do sucesso, mas o que vai realmente fazer a diferença é a motivação interna de cada pessoa em enfrentar e superar os desafios do dia a dia. Essas pessoas, que fazem acontecer, são os nossos preciosos empreendedores.

O que temos de diferente neste ano de 2017 é que o Brasil, apesar de tantas incertezas, nos deu a certeza de que modelo de Gestão Pública Brasileira se esgotou. Entramos em 2017 com centenas de prefeituras, incluindo grandes capitais, vários estados e o próprio Governo Federal avisando que não tem dinheiro para sustentar o peso de suas próprias administrações. Nossa Gestão Pública atual se confirma autofágica, incapaz de realizar seu propósito. Ao mesmo tempo, uma esperança aponta no Brasil. Com apenas três semanas de um novo modelo de gestão pública, a cidade de São Paulo pode ser o início de uma nova era, onde a eficácia da gestão privada está sendo aplicada no setor público, mas que somente o tempo poderá confirmar o sucesso.

Se por um lado a situação do Brasil se apresenta caótica gerando um pessimismo e incertezas quanto a nossa economia, por outro podemos dizer que o esgotamento do modelo de gestão pública poderá viabilizar as mudanças necessárias. Muitas das reformas até hoje não ocorreram pelo fato de que a sociedade sempre comparou o setor privado com o setor público. Se tínhamos o gestor público, sedento por votos, fazendo-se parecer benevolente ao conceder benesses incompatíveis com a economia moderna, tínhamos o empreendedor privado que precisava ser realista para não sucumbir com os altos custos que o país lhe infringia. Dessa forma, tendo o “patrão Brasil” perdulário e irresponsável, mas como um modelo a ser seguido, as medidas de austeridade necessárias à sociedade foram negligenciadas por décadas. O resultado foi a bancarrota das empresas públicas e o enfraquecimento das empresas privadas, gerando um desemprego incompatível com a capacidade de geração de riqueza do Brasil.

Temos a Reforma da Previdência que nunca aconteceu porque parecia que o Brasil poderia arcar com os custos do modelo atual indefinidamente. Os mais demagogos desafiavam a matemática e os fundamentos econômicos dizendo que bastava vontade política para as coisas acontecerem. A prática se mostrou bem diferente quando acabou o dinheiro privado, que financiava as ações perdulárias do setor público. Agora que os funcionários ativos (e inativos) ficarão sem suas remunerações, eles próprios questionam o modelo brasileiro. Afinal, de nada adianta ter direitos se o governo não tem recursos para pagar. Sobre a Reforma Trabalhista, da mesma forma, a mesma se mostra cada vez mais necessária. Sempre usaram os direitos dos funcionários públicos como benchmark para os empregados da iniciativa privada. Faziam parecer que as dificuldades em cumprir todas as benesses obrigatórias por Lei eram por simples ganância dos empresários. Hoje, com o desemprego flagelando a nação, com a desmotivação dos empresários em contratar, a sociedade percebe que o Brasil precisa rever urgente o atual modelo de relações de trabalho. Estes são apenas dois exemplos de como o esgotamento do modelo de gestão pública poderá permitir que avancemos nas reformas de nosso país. No mundo dos negócios, dizemos que “a dor ensina a gemer”.

Com este cenário, podemos prever que o Brasil terá um ano de ajustes e acomodações bastante expressivos na política e economia. O desejo e o cenário são de mudanças profundas, mas que talvez ainda não ocorram na forma ideal. Nossa classe política é por demais conservadora para buscar soluções de vanguarda. Ainda buscamos as alternativas nas práticas do passado, mas que são ineficazes para trazer resultados satisfatórios no presente, no século XXI, na Era do Conhecimento.

Portanto, não há dúvida de que teremos muitas dificuldades em 2017, mas em razão do gigantesco potencial do nosso Brasil, também teremos enormes oportunidades para aqueles que, parafraseando Darwin, forem mais rápidos a se adaptarem às mudanças que se aproximam